2 de junho de 2016

A Ronda dos Sonhos

Não há amanhã que chegue dessa noite,
já que os sonhos necessitam ser dormidos
e ao tempo, que antecede um céu azul
pelo deus crepúsculo,
dos amantes dão destino...


Em passos cegos
e cegos-surdos vão sofridos corações
já por não serem mais eles que pulsam,
mas seus desejos, que se buscam sós e esperam
através da noite que não tem mais fim.


Ah, mas por que os sonhos vivem adormecidos?

E quando acordam simplesmente somem,
viram verdades andando a passos largos,
ou vão de encontro à realidade indesejada.


Não há amanhã que chegue dessa noite,
já que os sonhos , muitas vezes, acabam esquecidos
nesses dias que antecedem o retorno
do deus crepúsculo,
talvez esse seja então o seu destino...


Céus anilados? Esse azul nunca tem fim.
E os céus sussurram ao meu lado: "Se amanheceres
serás como o Sol... Se amanheceres poderás ser
a verdade daquele outro sonho que anda só!"


Ah, mas por que os sonhos não vivem acordados?

Pois quando o dia terminar e o crepúsculo voltar
trazendo a Lua, eu quero caminhar acompanhado
daquele amor que eu tanto quis lembrar...



E ele, ainda que silencioso, espero
também tenha adormecido pela longa noite
desejando nunca esquecer-se de mim!!


- Ah, mas afinal por qual motivo
os sonhos apenas conversam conosco
enquanto não dominamos os sentidos? -

19 de novembro de 2015

O QUERUBIM

Você me devolveu aquele dia em que eu fui feliz
O Sol cortava seu rosto que, iluminado, sorriu de graça
Estou tão novo agora, meus anos voltaram atrás
E era tão lindo pensar no amanhã que é agora
Tão precioso sonhar com dias que eu não vivi no fim
Só que hoje em dia estou tão longe, envelheci
E apesar de ser bem novo ainda, aquele viço e o brilho...
Ah, o brilho!! Você me devolveu todo o resto
O carinho de alguém, os sons delicados, os cheiros
Obrigado por me cobrir de beijos e de abraços
Seu gosto, seu rosto, seus gestos com o seu jeito
Eu acho que não mereço, eu acho que sou tão pouco
Não são as coisas, os objetos, a realização dos sonhos
O mais bonito, o mais querido, dentro de mim... Você!
Me perdoe se em alguns dias eu me distraio?
De mim, você merece tudo, merece o todo, merece mais
Muito mais do que eu acredito ter a lhe oferecer!
Meu anjo, você voa tão alto enquanto eu nem sei
Se o que sou, de verdade, lhe faz feliz!
Amo o amor que você sente pelo meu orgulho...
Honra pelo que sou, a minha história, minhas batalhas
As minhas perdas, o cuidado silencioso com minha alma
Amo você por tudo de invisível que transformou
Aqui dentro de mim!

- Moram dentro de mim
o passado e o futuro.
Esqueço-me tantas vezes
do presente
que ausente dos meus olhos
só consegue
relebrar ou ansiar,
esperar
e esperar! -

30 de abril de 2015

A Fogueira

Era um túnel vazio, mas cheio de medo
dentro de cada tijolo um grito de desespero
e os passos acelerados que ainda ouço ou vejo
traziam histórias sofridas, sozinhos,
seu atravessar escondido, confuso em desejos.

Era uma noite estrelada, mas cheia de pejo
soturna em cada recanto guardando o segredo
e as testemunhas que choram nesse enorme cortejo
faziam questão do corpo, já frio,
sua decomposição, cheirando à flores-silêncio.

Era um caminho apenas, mas cheio de alento
dentro de cada escusa um vício em sacramento
e os ministros atribulados que são aliados do tempo
louvavam um santo inglório, corrupto,
seu galardão de injúrias, mero rezar sem um credo.

Nas ruas há sempre uma culpa, um acidente
dentro dos relatos há furtos, desses que mentem
e os inocentes são bruxos que ainda queimam e só
pois seus chás que nos curam, ou mutam,
são obras do além que algum clero espera calar.


Queimem as bruxas!
Elas são uma ameaça
à fé
até
aqui...

15 de março de 2015

A Menina da Sombrinha Vermelha

Seus sonhos valem toda uma vida, toda uma vida de sonhos...

Ganhou de seu pai uma sombrinha vermelha
e correu pela rua, passeando pela vizinhança
foi um dia ao mais longínquo bosque
encantar sua história feita de amores e esperança
esperou pela chuva para então
exibir seu presente mais bonito
foi a personagem do meu mundo, com certeza,
a primeira mulher, amizade, lição de Ser Humano.

A menina que a seu pai pediu um objeto colorido
desbravou tristes fronteiras, tempestades escurecidas
dedicou todo seu mundo ao amor e a seus filhos
fez dos dias mais intensos, aprendizado de fé
encarou com muita força desafios e sua sina
ensinou-me que ao ser forte, nada é fácil
fez-me ver além dos sonhos, que lutar traz alegria
e um orgulho imaculado das batalhas vencidas.



Dizem que o número 13 traz consigo uma carga de energia, algo de especial e enigmático, algo de mistério, poder, sofrer e azar. Dizem que azar e sorte são adjetivos contrários e sinônimos, pois sorte é acaso e azar também!
Às 13 horas de um dia 13 a menina da sombrinha vermelha, já não mais menina e do alto de seus 25 anos, deu à luz ao seu filho do meio, que por acaso não só filho do meio, também foi o neto do meio de seus pais... Eles que o batizaram, sua avó que, de madrinha da pia santa, anos mais tarde foi-lhe a benção de primeira comunhão e depois testemunha de sua crisma; seu avô o protetor de seus cachinhos de bebê e o portador das balas de hortelã que adoçaram-lhe a infância no velho quintal onde a menina brincara no passado, um passado que guardava as histórias de dez irmãos, a história da qual ela fora o sétimo rebento, a primeira usar mini saias, a mais ousada em tingir-se de rubros e esmaltes, a garota que desprezou um emprego para aventurar-se numa viagem ao exterior, a estudante que trabalhava enfrentando trens lotados nas idas e voltas para casa, a filha de uma união onde raízes italianas e espanholas deram-lhe um nome francês, o nome de uma antiga cidade, conhecida pela renomada academia universitária... Nancy!

Foi descobrindo essa personagem que um dia encontrei, na contracapa de um antigo livro de francês, uma dedicatória. No livro que ensinava através de imagens o idioma estrangeiro (regido até o início da década de 70 no Brasil), li certa vez: "Je t'aime Nancy". Eu sempre fui aficionado por livros, sempre tive neles algo de instigante, algo de provocante, tanto que meu primeiro sonho da vida foi ser um escritor, e no meio de tantas palavras que compuseram meus desejos envoltos em letras, acredito que ali que nasceu meu desejo de aprender essa língua. Dizia-se entre as pessoas que algo sabiam do idioma francês: Ah, é a língua mais linda de todas!! Acreditei primeiro para depois descobrir que eu também pensaria assim! Mas voltando ao livro, o livro de francês através de imagens... Por trás daquela dedicatória havia uma história e eu quis conhecê-la. 

Nancy fora a garota que desde cedo trabalhou (como todos seus irmãos) para ajudar no sustento da casa. Filha de uma lavadeira e de um "faz tudo", desses que são encanador, pedreiro, pintor; fora ela junto com um de seus irmãos mais velhos a que mais vezes acompanhou a mãe nas entregas de roupas pelas ruas da gigantesca São Paulo. Ainda muito nova tivera um problema de visão que quase lhe tirou a luz do dia, mas superado tal problema, Nancy foi a menina-moleque daquela rua sem saída onde viviam... Fazia pipas, carrinhos de rolimã, pegava rabeiras de caminhão, metia-se em brigas de escola, batia figuras, bolinhas de gude, pulava cordas, mas crescendo com os anos também varria o quintal, arrumava os caminhos daquele grande jardim e foi tornando-se a cozinheira de mão cheia daquele lar.  Já adolescente e trabalhando fora embarcada nos vais e vens dos trens metropolitanos da grande São Paulo, eis que surge um admirador, um jovem amor: Teco - o autor da frase na contracapa do livro de francês pelas e dentro dessa imagem, um irmão mais velho que mandaria amigos vigiá-la no colégio, algo que então ceifaria esse conto resumido em um breve "eu te amo" dedicado em língua estrangeira. 
Anos mais tarde a jovem se casaria com um de seus vizinhos, o garoto que lhe desenhava os trabalhos das aulas de artes. Seria ela quem por último sairia de casa para dizer seu "sim" em um altar... Assim faria a todos esperarem por sua chegada na igreja, numa tarde de janeiro no fim dos anos 70, ela mesma se aprontaria depois de pintar suas unhas sob a sombra do velho abacateiro onde brincou sua infância junto de seus irmão e onde brincariam mais tarde seus filhos e sobrinhos. Então, ao posicionar-se diante das portas da igreja, num breve olhar para os lados foi ele quem viu, o rapaz Teco, antes que começasse a Ave Maria e na contracapa do livro apenas três palavras em francês... Mas depois foi uma festa de família, foi a noiva com o vestido feito por uma de suas cunhadas, o brinde na foto daqueles irmãos reunidos, o bolo coberto de coco caprichado, os sonhos, a mudança para o interior junto de seu marido, seu primeiro filho já em seu ventre e a família de seu irmão - protetor dos tempos colegiais. Tudo novo, para que numa tarde de domingo a vida lhe fizesse ver a morte de seu irmão num trágico afogamento... Tudo triste e uma volta frustrada à rua sem saída onde um dia dançou sob a chuva com a sombrinha vermelha, presente de seu pai, seu desejo colorido. Tudo é um sopro e dois anos após o nascimento de seu primogênito, num mês de agosto, um dia 13, às 13 horas, viria ao mundo seu filho do meio, o neto do meio, o mistério do 13, algo de enigmático, algo de poder, de sofrer, de sorte e azar, mas sorte e azar são contrários e sinônimos!

Da ideia que faço dessa mulher nesse ponto da história, vem-me a imagem de uma foto 3/4 tirada aos 18 anos, em preto e branco à qual tive acesso algumas vezes...

Cabelos longos e escuros, olhos castanhos amendoados, pele alva e um sorriso contido que se repetiriam no filho do meio. Tudo de novo, a perda, pois dois anos mais tarde seu filho mais novo também veria partir... E sabe quando acontece de pensarmos em desistir?
Foi ela a defensora de seu amor em anos de juventude apaixonada, foi ela a grande batalhadora, a leoa que carregou pelos braços seus sonhos, suas dores, seus filhos, seus amores. Foi a mulher que edificou sua própria casa, foi a mãe que alimentou de seus filhos os desejos sonhadores e foi ela quem teve no mais velho os desafios que comprovam a fé e no do meio - feito o mais novo - os desabafos, as confidências, uma amizade que foi, que ainda hoje é!

Certo dia, entrando na casa de minha mãe, eu disse: Por quê a gente não tem a chance de desligar tudo na vida, voltar no início e começar de novo? Sabe mãe, viver é muito difícil! Ela, arrumando um vaso com flores, deu o suspiro mais profundo que já vi em alguém e sua reposta foi apenas: E é pra mim que você vai dizer isso?

Naquela tarde em plena década de 60 a menina esperou a chuva que enfim chegou, pegou sua sombrinha vermelha e foi passear pela rua exibindo seu mais lindo presente, sem se importar com o que diriam, sem pensar se estaria molhando-se da cintura para baixo, sem saber que se casaria com o vizinho que brincava com ela na rua, sem imaginar que viveria tudo que anos depois a vida lhe imporia, sem sonhar em estudar francês no colegial com um livro através das imagens e não sabia que tiraria aquela foto 3/4 aos 18 anos. Tampouco sabia que a contracapa de seu livro guardaria uma curta frase, a tradução de grande um sentimento por aquela jovem dos longos cabelos escuros e olhos castanhos amendoados.
E seu filho mais velho tentou ser um jogador de vôlei, de fato o foi, mas depois desistiu e casou-se, separou-se e novamente apaixonou-se, foi ser administrador, teve quatro filhos, dois casais, cuja a garota do meio (como seu filho do meio) guarda os mesmos traços da velha fotografia 3/4. O marido, companheiro de toda uma vida está lá. Da rua sem saída, na qual cresceram e para a qual voltaram após uma tragédia de família, saíram anos mais tarde em nome de seus sonhos. Hoje ele planta uma horta no fundo do quintal de sua casa no interior, dessas gostosas que a gente só encontra em casa de vó. O vizinho que desenhava-lhe os trabalhos de artes, junto dela desenhou também uma história da qual lutas não faltaram, mas vitórias foram o resultado de uma palavra chamada resiliência. O filho do meio, aquele nascido no dia 13 às 13 horas num mês de agosto, tornou-se muitas coisas e de fato dizem que sua história tem algo de enigmática, de contrários e sinônimos. É dessas pessoas artistas, que pensam o belo e fazem dessas coisas malucas, contemporâneas, que no fim todo mundo entende, mas só acha bonito ou o contrário também...

Eu que sempre fui um aficionado por livros, encontrei nessa história feita de elementos em pedacinhos, um grande romance digno de publicação. Eu que nasci numa tarde, às 13 horas de um dia 13 de agosto e fui o filho do meio, o neto do meio, com meus cachinhos protegidos pelo avô "faz tudo" e fui três vezes afilhado da avó lavadeira sob dogmas de sua fé, aprendi com essa história, da qual parte faço, que a felicidade dos sonhos não está em realizá-los todos, mas no tentar alcançá-los. Então, eu fecho meus olhos e penso na chuva, fecho meus olhos e penso na menina faceira pulando naquela rua sem saída, com sua sombrinha vermelha, seu presente sonhado, o mais bonito. Me lembro da jovem de cabelos longos e escuros, olhos castanhos amendoados, de pele alva... Me vejo diante do espelho, enxergo o seu reflexo em mim, daí entendo que os sonhos nos protegem da tormenta, mas que a gente precisa pedir pela chuva para enfrentá-la com a força dos sonhos e assim exibir uma felicidade inocente sem saber do devir, uma alegria sorridente, como aquela da menina da sombrinha vermelha!

- Mãe,
quero lhe afirmar
que minha lembrança
mais antiga entre nós
é de uma tarde
em que você lavava
roupas no tanque 
e eu lhe enchia
de "por quês"...
Saiba, apesar do tempo
apesar de tudo
você nunca me deixou
sem qualquer
resposta!!! -

"JE T'AIME NANCY"

20 de novembro de 2014

A INTRODUÇÃO

Na minha adolescência, houve um piano, teclas que ensaiei... Entre notas que dançavam sobre as folhas de partituras e partituras, os meus sonhos eram tão gigantes e eu acreditava que os tornaria realidade de forma quase fabulosa, quase! 
Naqueles anos os cadernos viviam cheios de desenhos, os amigos cheios de alegria e o meu coração perseguia idiomas, livros e mais livros, minha mãe e minha avó, meus poemas e uma bailarina que com suas sapatilhas me persegiu também; eu fui feliz em cada momento e com cada uma dessas coisas e pessoas, mas o piano era um desafio, era um sonho maior que saltava aos olhos e gritava aos ouvidos!! No mundo das escolhas, ele se foi de mim e numa avalanche de acontecimentos, a sua perda dos meus dedos que ainda tocavam introduções e polcas nos corrimãos ou nas estantes, quase não foi lamentada, mas aos poucos o piano foi virando "gente", um luto que eu guardei pra mim, uma desistência, uma frustração porque nos meus sonhos eu tocaria cada trilha, de cada história e comporia meus poemas antes como notas, antes eram apenas notas, mas elas se foram também. Então, o menino sonhador sem perceber foi se enchendo de rancores dos amores que não pôde embalar e perdeu-se em tantas idas e vindas, meu Deus, quantos são os mundos aos quais teria que provar para depois julgar e enfim, decidir, estar, viver, ficar...?? 
Na minha adolescência eu desejei ser um escritor que, aos poucos, hoje eu vejo revelar-se e sonhei ser um viajante, cidadão do mundo que antes de tudo me tornei; e o pintor que nunca mais voltará – eu sei, o amor da linda bailarina que vi sumir depois voltar, que ensinou-me que o amor pelo sagrado é o seu melhor estado, ela me ensinou a perdoar! Na minha adolescência eu jamais imaginaria estar onde agora estou, com toda a história que se foi e ainda, sem ponto final, acontecerá. Naqueles anos flutuantes eu desenhava uma pedra e uma árvore que juntas geravam um Ser Humano sem saber que mais tarde, as pedras, quem carregaria seria eu e sem saber que as raízes que me tiraram o piano não impediriam que meus galhos crescessem e tocassem os pontos mais distastes, os mais longínquos e não apenas corrimãos e estantes daqueles dias das primeiras tristezas!!!
Pois bem, eu estou aqui... Agora, depois de muitas coisas, ainda na construção dos sonhos e vivendo um tempo de realizações. Pois bem, eu encotrei um amor que me trouxe a leveza daqueles anos de volta e com essa leveza a maior surpresa de todas, aquela que eu nunca imaginaria ter de volta: o piano. Eu fiquei tão feliz quando o vi com um bilhetinho que dizia: "A sua audição absoluta merece ouvir os sons que tanto ama e eu ficarei aqui esperando que você venha tocar pro meu coração". Eu o dedilhei, eu brinquei e não me atrevi de fato, pois ah eu preciso de aulas, muitas delas, treino!!! 
Mas hoje vi-me sozinho com o grande presente, quando olhei para o meu sonho feito de madeira de ébano, me sentei com algumas partituras e li a introdução das Bachianas número 5, os meus dedos sobre as coxas se movendo, e eu fui ouvir na internet, passei e repassei, passei de novo e de novo, abri a grande caixa preta e me lembrei da bailarina, dos amigos, das raízes e das pedras, da minha mãe, da minha avó e da leveza e das perdas... Foi a introdução às Bachianas, apenas, mas eu consegui de novo, eu consegui a introdução tantos anos depois sem as partituras e me emocionei, por isso as lágrimas de hoje são de pura felicidade!!!!

- Quando nascer a flor,
quando for tudo imenso
amor,
quando um sonho 
sublimar a sua dor,
então
serás feliz e serás teu
salvador! -

17 de setembro de 2014

Complexo Céu

Olha pra cima
Deus não é um homem
é um estilhaço
é o firmamento.

Ouça essa voz
além do espaço.
São muitas vozes,
são todas elas!

O Deus das vozes
é circular
é bipolar
é aos extremos.

Olha pra cima,
olha pra mim
pretencioso.

Não vim de longe.
Nem tenho fim.

Esse bom Deus,
(meticuloso)
em seu abismo
todo poroso
é o meio tempo,
é meio assim...

Não é extenso apenas,
mas a completa conformação.

Dizem de Deus,
que ele vive,
na eternidade...
dentro de mim...
dentro de ti,
na escuridão...

- Oh Senhor
ser místico da eternidade
leva-me daqui
para que eu não
vos encontre
n'algum lugar
senão
que o meu coração! -

31 de agosto de 2014

O Concreto e O Abstrato

Querido Pedro,
preciso confessar-te uma coisa: eu sonhei um sonho que a vida roubou de ti!


E eu preciso muito mesmo saber onde estás agora entre as estrelas, já que há noites em que procuro falar contigo, querido passado que nunca vivi e mesmo assim, tanto quero bem! Por onde andaste nos últimos anos além de nos desérticos pesadelos de nosso bem? Tu que foste o sonho realizado e vivido nos anos daquela juventude, por onde te perdeste no labirinto da eternidade a procura do olhar que contemplo agora? Nós dois sabemos que é ele a ponte que uniu para sempre nossos mundos nesse mundo, dessa vez... Mas eu agora começo acreditar que houve um tempo, muito distante, muito ausente desse presente, onde vivemos todos juntos alguma história muito grande, imensa e tão forte que precisariámos de mais essa chance para completá-la. Quando ao buscar-te entre o brilho dos corpos tão altos, clama meu peito um alento, um afago, o aconchego de um amor que tu deixaste para trás sem querer e meu amigo Pedro, é sorte minha o azar da tua morte? Deveras eu nunca encontraria aquela profundeza castanha de outras vidas se tu não tiveras sofrido e assim ido; isso pesa em mim tanto agora que ecrevo-te tão sinceramente. A tua partida foi minha chegada dentro de um coração, um oceâno abandonado como o de Netuno... E existe ali o navio naufragado nas profundezas de suas lágrimas que seco a cada dia e cerco em certas horas de alegria, em outras horas de paciência ou algumas (bem poucas) de tolerância, com amor e uma resiliência que acredito, vem-me de ti.

Acontece querido Pedro que eu quero sinceramente findar todas aquelas mágoas e cada dor que a tua ausência deixou, eu sofro e sozinho vejo-me o privilegiado entre nós dois. Então me questiono qual de nós aqui na terra encontrar-te-á na imensidão, algum dia, de alguma forma? Eu estremeço por dentro em meu dilema sobre esse encontro, pois estou certo que antes de tudo será um acerto de contas. Me desespero em pensar que poderá ser nosso amor comum quem o verá no fim de um corredor para luz e assim ao expandir junto contigo, esquecer-se-ia de mim e assim eu ficarei sozinho sem saber mais como viver e nem o verdadeiro motivo das coisas. Por outro lado, se encontrar-me diante de ti entre as portas e a luz, então o terei deixado e ele uma vez mais derramará sua vida em tristes prantos de uma solidão que já viveu, onde muito já perdeu, mas que sendo o forte coração que cuidou-te, amou-te e que a mim entregou-se, sobreviveu!
Amigo Pedro, onde estão as chaves que perderam-se quando tu te foste desse mundo? Onde está o mundo do qual ouvi primeiro falar e onde mora um brilho moderado dos castanhos olhos do nosso grande amor? Algo apagou-se ali e eu gostaria de saber se é possível ascender as velas sobre os castiçais do salão onde a valsa fora interrompida. Tu me entendes? Eu preciso provar ao nosso nobre coração que ele salvou-te, de todas as formas que um humano pode salvar a outro humano. Eu preciso provar que foi ele quem fez teus vinte e poucos anos serem os mais doces, os mais ternos, eternos dentro de ti. Ajuda-me e perdoa-me se o que te peço é amar o teu amor, o meu amor é teu então, agora sei que tu me amas como a ti eu também, obrigado!
Houve um dia, quando fui mais jovem, em que acreditei em tantas promessas. Nesse tempo as promessas machucavam-me quando eram mentiras descabidas, quando eram apenas mentiras. Houve um tempo em que as verdades não me interessavam nada, não me importavam, pois minha única preocupação era viver e viver, um dia e outro. Mas eu encontrei alguém que marcou-me a alma, e quando me lembro de suas poucas palavras, numa conversa informal, me emociono porque pensei que o queria todo para mim. Eu empolguei-me, lhe tive os beijos e os abraços, um louco amor entre os meus braços de uma noite cheia de estrelas... Tu já estavas aí mirando-nos, providenciando todo o encontro e como sabes, apaixonei-me e ao conter-me naquela despedida apenas quis saber como encontrá-lo depois. Foram dias emocionados que atravessei vagarosamente na espera desse novo encontro que nem certo ainda era, mas dentro de mim era e foi a alegria mais sublime ouvir a sua voz que me disse sim a cada convite, cada novo encontro que fizeram-me sangrar por dentro em um pacto silencioso com meus princípios e meus novos sentimentos. Ah, era ele um artista, um poeta, um admirável poliglota, encantador precoce pianista, uma jóia... Tua jóia, teu poeta, teu artista e eu sofri!
Pedro, meu amigo entre os astros, foste tu quem me escolheu? Foste tu naquela praia, numa brisa serena quando eu disse ao nosso bem se queria só mais uma vez estar comigo? E foste tu quem me soprou aos ouvidos que o buscasse e o amasse, que o acolhesse e fundo em seus olhos enxergasse o meu coração? Aos pouquinhos eu fui ganhando a conafiança e aos pouquinhos os presentes humanos que com ele vêm, os amigos, os companheiros de um trabalho lindo e os sentimentos de um artista sensacional. Eu imagino quantas vezes tu também te sentaste no escuro para ver suas criações sob a luz de um palco, mas suas personagens machucadas só existem agora, depois de ti... Eu também quero vê-lo sorrir da mesma forma como tu o viste!!
Meu caro confidente, eu me despeço e te peço apenas uma coisa, apenas essa: Volta!
Revive de alguma forma, sob alguma existência que nos faça saber que estás conosco outra vez, sê o sentimento entre nós ou uma conquista que devolva a felicidade completa do nosso amor; esteja conosco até que possamos estar distante daqui contigo, um dia, talvez... Volta, devolve o riso e o sorriso que tu mesmo percebeste mudar na alegria sempre contagiante do nosso bem e permite-me sentir a plenitude do que foram tu e ele, naqueles anos joviais. Eu o assumirei como tu nunca pudeste e eu enfrentarei todo esse mundo como tu eu sei que quiseste e inspira-o a seguir, a gerar e abrir novamente as cortinas de um palco de onde o mundo precisa vê-lo atuar e agir.


Por nosso orgulho, o nosso náufrago vencedor, teu mundo passado concreto e meu mundo futuro abstrato, nosso querido encontro de um doce e transcendente amor; eu te prometo nunca decepcionar-te a missão confiada de ser-lhe o amor que dele cuidará como também ele cuidou-te e salvou-te de tantas formas.



Sei que um dia nos encontraremos todos,

Edu.


- Existe um mundo
que eu não sei de onde vim
e nele habitam
o futuro e o passado...
Quando saberemos
dos motivos
dos encontros?
Eu ainda não sei, mas saiba,
eu amo você,
de todas as formas
com todas as forças
que o passado me negou
um dia!! -

13 de agosto de 2014

Rodas Gigantes - O Perdão

Ele viveu um dia e depois o outro. Ele sofreu todos os dias e quase todas as noites. Ele fugiu de si e escondeu cada pedaço em uma trama perfeita. Ele acolheu os pedidos, mas chorando falhava por dentro e somente feriu. Ele pediu tudo certo, mas não foi nunca atendido. Ele tentou muitas formas e por muito tempo ele achou que seria assim, para sempre, todo sempre... E ele abriu-se sincero, embora aos poucos, um a um o traiu, mas ele errou talvez, pois muito omitiu. Ele esperou cada momento, mas ele perdeu a todo instante e constante, tão apaixonante, foi para todos o mais forte instante, enquanto dentro de si foi sozinho, tão perdido, mas sonhou-se o destemido e por vezes aceitou-se um perfeito fracassado. Um dia já cansado, o seu corpo maculado, de coração arrependido, foi tanto que pensou sobre tudo o que deveria sempre ter realmente revelado, sem pecado assumido e de essencia admitido, que olhou pra muito longe, para fora de seu peito e de seus medos... Resolveu recomeçar!

Você sonhou comigo?
Eu acho que você
me entendeu errado.
Agora que as piores,
as mais doloridas
histórias já passaram,
eu sou o melhor
pedaço de tudo?

Você falou hoje comigo?
Eu acho que parece
ser a vida um doce pedaço.
É mentira minha,
eu não penso nada disso,
no entanto você
quer que eu deposite
todo o meu paraíso?

Você batalhou comigo?
Eu acho que um dia
você cobrará cada centavo.
Agora que as cicatrizes
viraram passado,
é mesmo bonito pensar
que em minha vida
sou o rei da vitória?

Você foi bondoso comigo?
Eu acho que, às vezes,
também não fui reconhecido.
É mentira minha,
eu não sou vítima de nada,
no entanto você
quer que eu agradeça
cada pedra da estrada?

Você é feliz comigo?
Eu acho que quero
ser-me o maior camarada.
Agora que tudo mudou
e o destino encontrou
meu lugar preferido,
acredito que antes
só faltou-me ser justo,
conceder-me o perdão!


Ele encontrou a resposta entre as falhas e os amores. Ele entendeu que a felicidade depende apenas de uma decisão e tornou-se mais vivo, de verdade mais limpo em seu coração. Ele teria sofrido bem menos se soubesse como lidar com as farsas, as piadas sobre a sua natural condição. Ele teria aprendido como ser diferente, mas agora já sabe que o seu mundo marcado converteu-lhe num valioso presente!

- Todos os anos
são os giro dessa roda
imensa e eu fico
esperando que, a cada 
descida, me encante
a vida ao levar-me
de novo até o ponto
mais alto -




9 de agosto de 2014

Dileto de Algoz

Há momentos 
em que ter coragem 
é uma batalha 
contra o exército 
de um reino impiedoso 
consigo 
e respirar fundo 
faz um homem 
afogar-se 
em lágrimas. 

Eu quero acreditar 
que Eterno desfará 
os nós dessas injustas 
amarras 
e o devir seja feliz 
numa manhã clara 
para contar-me 
um sonho lindo. 

Quantos dias 
são realmente preciosos 
para valer 
uma jornada? 

E quantas noites 
eu pensei 
que meu coração 
seria 
o meu melhor amigo... 

Estradas são, 
às vezes, 
perigosas tramas 
quando se põe 
os pés na esperançosa 
caminhada 
e há segundos 
infinitos 
em que a alma 
treme inquieta, 
solitária, 
sofrendo calada. 

Meus olhos 
eram mais puros 
quando 
não poderia 
ser quem sou 
com honras 
e faltas, 
mas meus versos 
tampouco existiam, 
já que 
o clamor vivia mudo, 
atrás dos escudos, 
em campos sangrentos 
ao gladiar 
com gigantescos 
fantasmas. 

Se lutar 
pelo mundo 
que se deseja 
é sentença 
na morte 
do amor, 
eis que apresento 
minhas mãos 
feridas 
e desde muito 
das injúrias 
cansadas. 

De joelhos, 
com estendidos braços, 
me prostro 
diante 
da côrte soberana 
das sombras 
e peço: 

Cortem 
a minha cabeça 
na guilhotina 
dos fatos, 
para que 
meu orgulho 
seja exemplo leal 
e meu espírito 
possa voar 
verdadeiramente 
livre!

- Não há glórias
na guerra,
não há beleza
no retorno da morte.
Não há honra
para os arqueiros
e nem há valor 
para a cavalaria,
o clero é pagão
as torres
são pedras
 e não guardiãs.
Agora que sou
condecorado
pela espada
quero cravá-la
em meu peito...

My Lord,
só peço não ser 
a forca,
eu já sufoquei
minh'alma
enquanto
salvava a sua
Coroa! -

25 de julho de 2014

Às Vésperas

Hoje eu acordei de mim e ao olhar de frente,
o meu semblante tem uma marca infinita
mas que se esconde dentro da minha carne
e foi o espelho que disse: algum tempo já
passou!

Hoje eu me lembrei do dia em que ouvi dizer,
mas os amantes nunca são justos juntos
pois se escondem dentro de seus desejos
e foi meu eu surdo quem alertou: sofrer já
terminou!

Hoje eu me esqueci de mim e muito diferente,
o meu coração leva uma história ainda aflita
mas que se disfarça dentro da minha vã arte
e foi a chuva que fez qu'eu visse: o procurar já
acabou!

Hoje eu despertei de mim e ao olhar de frente,
mas meu sorriso é uma saga tão destemida
pois se revela pelos valores de meus cortejos
e foi meu eu mudo quem ensinou: resiliência já
consagrou!

Às vésperas de colocar-me de novo à prova
ando sorrindo por um olhar que me devora
mas que esgarçará tão logo a memória repare
e foi o tempo que me provou: certo presente já
se sonhou?

- Eu sempre acho
que na verdade se é feliz
para logo depois
ser triste. É a roda, 
a roda gigante...
Eu sempre acho
que meu medo
de ser feliz
é minha ansiedade
por ser infeliz! -

21 de julho de 2014

O Duelo

Eu faleci num passado
e foi uma luta de amores
ou uma luta de almas.

Agora se seu fico andando,
de caminho em caminho,
por essas estradas escuras...
Traz-me a luz!

Eu te amarei pela minha
terminal eternidade.

Agora não existe amanhã.
Hoje é apenas o hoje
para quem ama o futuro.
Nele existem coisas criadas,
mas entendê-las dependerá
de alguns passos dados.

Traz-me a luz?

Eu te farei da minha
pobre argila carnal.

Agora não existe o ontem.
Hoje é o que somos agora
para quem deseja o amor.
Nele existem todos os planos,
mas concretizá-los dependerá
de nossas mãos dadas.



Eu desenho 
o teu rosto...

- Com gosto
de aquarela 
em minha paixão.
Com gosto
de pra sempre
sem tua atenção! -

16 de julho de 2014

A Aliança

Os meus joelhos estão machucados, machucados demais, pois as orações já não surtem efeito... E as minhas mãos estão também tão cansadas, pois tenho sofrido há tempos com esse cabo de guerra que me imputa a vida!!
Tenho pensado em você e aceitado que existe uma certa missão, então me vejo entre seus medos, pois no passado eu que sofri do mesmo, busquei o fim sem encontrá-lo. Dentro de mim houve um silêncio, que sinto agora, está em si e entre os sonhos que vou nutrindo, eu me coloco no seu lugar. Tenho vontade, às vezes, de lhe bater, de lhe dizer que chega, que já é hora. Mas afinal, qual é a hora em que se escapa de um pesadelo?
Eu sei da dor que mata, da dor que arrasa e que condena. Eu sei dos medos, dos desesperos, dos dias tensos, da solidão. Eu vejo em seu entorno tudo que um dia me assassinou, mas acredite, palavra de camarada que é muito sério, a dor machuca e um dia acaba quando se sabe que certos sonhos não voltam mais!

Escreva uma carta bem longa
e diga nela tudo o que pensa.
Você aguenta perder um pouco
só se esse pouco lhe faz feliz?

Escreva nela todas as coisas
e de repente olhe pra trás.
Você entende que tudo muda
quando seus olhos mudam também?

Escreva um verso da poesia,
você consegue fazer rimar!
Saiba que os versos são alma
e fé, uma mudança, uma façanha.

Escreva ainda sobre a alegria
felicidade não é pra sempre.
Saiba que o mundo indiferente
é bem maior que sua busca.

Escreva sobre os seus valores
todos os ganhos que almejou.
Diga na carta da sua mágoa
repita tudo, o medo, o rancor.

Escreva os dias que já viveu ou
escreva sobre os que deseja.
Você verá que ainda há tempo
e se quiser, ele a erguerá.

Na minha história existe um fato que é recorrente, trocas de juras, grandes promessas que viram amor para contar... As uniões são os concretos fatos e de fato, são lealdades para honrar. Na minha história resiste o acaso de algo para firmar, dentre os exemplos que eu lhe daria, estão: as alianças, que vem e vão, mas nunca se vão de verdade, pois elas existem e resistem pelas promessas. Quero dizer que não há o desistir da vida, apenas o desistir de nós. O simbolismo das alianças está pra isso: nunca deixar que acreditemos, que aceitemos, que estamos sós!

Clegue,
uma coisa é
pura, uma baita 
verdade:
Nunca desistirei
de nós!!
- É muito difícil
encontrar paz no peito
de alguém... A mim
tampouco
importa, se 
no peito de um
homem, se no peito
de uma mulher
ou se no peito, no valor,
de uma amizade! -

Seu amigo aqui ama você, e por isso, nunca se imagine só!

12 de julho de 2014

Inquietações

Há coisas que não me aborrecem entre elas, as folhas secas que voam soltas pelo meu quintal e mesmo assim eu vou todos os dias ver, quantas mais cairam aqui ou ali e percebo que agora há mais coisas que me enlouquecem... São as formigas comendo a fundação são as velharias deixadas dentro de um porão e é o chão, cheio de flores mortas e a chuva que deixa a terra em lama ou a lama que suja as escadas. Há coisas que não me aborrecem mas elas nascem e crescem soltas pelo vasto mundo umbral e mesmo assim eu sei que das vias ser, quantos mais fariam assim ou assado e entendo agora há menos coisas que me amadurecem... São as almas invisíveis em ação são as velharias abandonadas dentro de um coração e é a razão, cheia de dores mortas e a curva que deixa a visão impossível ou a cama que não me deixa dormir. Eu fico e vivo, pensando...


- Me pego juntando
fotos pequenas
de um antigo mural.
Eram tempos de
revelar filmes
e filmes que revelariam
meu mundo atual -

7 de julho de 2014

A Carta Interior

Sabe que quando resolvi ser o autor das Cartas ao Interior, a carta que me inspirou a começar a escrever poemas, contos e outras cartas, para as pessoas que eu amo, fora escrita para mim quase dois anos antes e nela seu autor me deixou a seguinte mensagem: no percurso de toda essa viagem que é a vida somente uma energia, um sentimento, uma forma de existir vai e fica com todos o seres que se deixam encontrar e é sobre isso que eu vim lhe falar agora.
Aquela carta escrita, de próprio punho, nunca foi envelopada, selada e postada. Ela nunca chegou, ela foi guardada dentro de um livro, um dia eu a achei e para a minha surpresa, ali tudo começava com a descrição de uma noite cerca de um ano antes da minha mudança de Curitiba, voltando a viver em São Paulo. A observação que fez seu autor a meu respeito, sobre a cena daquela noite, concentrava-se sobre o fato de meu riso e o meu sorriso já não serem mais os mesmos e eu realmente não era ainda o mesmo, pois aqueles olhos que me observaram sem que eu percebesse conseguiam enxergar a minha alegria, a minha alma e o meu coração.

O amor tem dessas coisas... Até mesmo o excesso de muitas outras, todas elas tão contraditórias e complementares, então me pego pensando que uma vida sem a vontade de ser feliz junto de outra pessoa nos deixa incompletos, talvez, menos humanos!
De repente algo acontece e passamos a olhar para alguém por sentir uma cumplicidade única e a medida que essa cumplicidade cresce (e o relacionamento se aprofunda em todos os sentidos), novas formas de viver se assumem e em meio a elas assumimos também o olhar que o outro tem sobre tudo que nos envolve, o nosso mundo!! De repente, parece mesmo ser tudo lindo, além de você e do outro, existe agora uma força, um poder que o torna capaz de tudo nas frentes de batalha, fora ser motivador, engraçado, complexo... Existe um sentido muito importante para que os sonhos se realizem!

Do amor, quero guardar todas as lembranças e das lembranças, de alguma forma especial, todos aqueles que o trouxeram pra perto de mim. No amor, quero entender as minhas barreiras, ter certeza que nunca o terei desperdiçado e para quem hoje escrevo essa carta é muito importante dizer que foi consigo que muito de mim voltou a ser especial. Obrigado, como eu amo você!

Sabe, você acredita em destino?
Eu acredito que aconteceu algo comigo. Quando li aquela carta, descobri que o amor pode até mesmo matar e pode fazer você perder tudo aquilo que um dia procurou. De repente eu via a pessoa que amei se despedindo de mim e acho que ali desacreditei do destino. De repente eu passei a viver em um mundo sem cor. Um dia eu conheci um estudante de filosofia, um dia eu já sabia que ele era um grande amigo. Então de amigo ele me propôs uma história dessas que trazem à tona a força pela qual tudo pode se realizar. Um dia, o já filósofo e eu nos demos a chance e resolvemos ter a tal união que nos faz mais humanos, um dia acreditamos em todas as outras coisas que ouvimos sobre o amor.

Sabe, eu me lembro de você chegando. No dia em que nos conhecemos você me disse que o amor, às vezes, nem é tão importante. Mas acontece que o tempo todo a gente só se amou. E eu falei milhões de coisas e você riu e sorriu. Eu contei algumas histórias engraçadas para logo depois você me contar a sua vida quase toda e eu me lembro que ri e sorri o tempo inteiro. Eu fiquei tanto tempo sem sentir aquilo! De repente as profecias se cumprem e de repente os desejos se realizam, as estrelas se alinham a gente reconhece uma constelação. Um dia, aquele estudante de filosofia abriu uma porta para mim e, anos depois, você reabriu todas as janelas para a luz voltar aqui dentro do meu peito. 

Do amor, quero guardar aquele dia em que lhe conheci e, com ele, todos os motivos que me fizeram sorrir e rir outra vez, com você... Quando eu me dei conta, aquela força estava de volta em mim e eu acredito que, às vezes, o destino pode enganar, mas também pode surpreender.
A carta interior falava disso tudo. Falava sobre mim e também sobre aquele estudante de filosofia, falava sobre nós e o nosso mundo forte. A carta interior falava de esperança e falava de azar, também falava de desejos e de um mundo onde eu ficaria só. Eu chorei muito e por muito tempo mais. Eu guardei aquela carta como uma prova do que era verdade, como prova do que era o amor, esperando que um dia ele voltasse.

Naquele dia em que lhe conheci, de alguma forma eu reconheci uma chegada e daquele dia quero guardar com todo o meu amor, esse seu mundo. Do amor, quero dizer que: o destino de repente existe e insiste que a todo tempo vale a pena sonhar.
Um dia o estudante de filosofia me disse: "Eu te amo" e um dia ele teve que partir. Em sua carta interior me pediu muita força e pediu à vida que um outro alguém me amasse em algum momento, algum dia... Saiba que eu precisei da morte para entender uma ressureição, eu precisei do tempo para curar feridas, esquecer palavras e solidão.

Sabe, você acredita em destino?
Eu estou certo de que aconteceu algo comigo. Quando eu resolvi escrever essa carta para você, a intenção era agradecer e lhe dizer que a força que tudo transforma voltou para mim pelas suas mãos. Queria dizer que o destino tratou de me fazer entender tudo o que aconteceu comigo e que a mesma vida que me tirou a alegria na juventude, me trouxe tudo de volta na maturidade dos dias de hoje. Preciso dizer que o amor dá uma vontade louca de ser feliz, que se em certos momentos nos faz morrer por dentro, depois nos faz reviver. Na verdade, eu sempre acreditei em destino. Por conta dele, agora você habita em meu interior e é por conta dele que a nossa história existe cumprindo com as preces daquele outro amor, que ao morrer, clamou a Deus por minha vida. Eu acredito nas profecias, acredito nessas preces nascidas do sonhos, dos desejos e da esperança!

Um dia o coração daquele filósofo escreveu-me uma carta que jamais recebi, eu a encontrei. Nela pediu-me que, se perdesse a força, ainda sobrevivesse e desejou que um novo olhar me reconhecesse e me guardasse com amor. Um dia eu vi seus olhos sorrindo para mim e o meu coração renasceu feliz. No meu peito, nos meus sonhos, no meu interior, estou certo que o amor é a cumplicidade que existe e cresce entre os nós dois, em nossas ações e visões. O "amor da minha vida" se chama: você sempre comigo ou eu, agora, jamais sem você!  

Edu,
meu tão querido companheiro...

Dizem que as coisas
mais belas sobre o amor
são ditas no silêncio
dos olhares.
Há verdade nisso, pois
seus olhos me dizem sempre
que esperar sua chegada
foi acreditar
que meus sonhos voltariam
e se tornariam realidade!!!

- EU AMO VOCÊ -

1 de julho de 2014

Le Sorcier

Eu encontrei no silêncio
uma medalha de honra
nela gravadas palavras
que reconheço agora.


Eu encontrei no silêncio
uma criança calada
nela gravadas sentenças
que abandono por fora.

Uma lembrança é o açoite
quando amargo é o gole
dessas palavras latentes
que o coração reprova.

Uma lembrança é o sempre
quando a inocência abole,
mas dessas sujas palavras
quem quer perder o grilhão?

Eu encontrei na medalha
o meu silêncio de honra
nela gravado o passado
que construiu-me por fora.

Eu encontrei na medalha
a minha sentença de outrora,
mas a criança cresceu,
é o homem que me orgulha
agora!


- Eu imagino
os anos que virão,
em vão,
pois aprendi que
as metas nos mudam
o objetivo -