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15 de março de 2015

A Menina da Sombrinha Vermelha

Seus sonhos valem toda uma vida, toda uma vida de sonhos...

Ganhou de seu pai uma sombrinha vermelha
e correu pela rua, passeando pela vizinhança
foi um dia ao mais longínquo bosque
encantar sua história feita de amores e esperança
esperou pela chuva para então
exibir seu presente mais bonito
foi a personagem do meu mundo, com certeza,
a primeira mulher, amizade, lição de Ser Humano.

A menina que a seu pai pediu um objeto colorido
desbravou tristes fronteiras, tempestades escurecidas
dedicou todo seu mundo ao amor e a seus filhos
fez dos dias mais intensos, aprendizado de fé
encarou com muita força desafios e sua sina
ensinou-me que ao ser forte, nada é fácil
fez-me ver além dos sonhos, que lutar traz alegria
e um orgulho imaculado das batalhas vencidas.



Dizem que o número 13 traz consigo uma carga de energia, algo de especial e enigmático, algo de mistério, poder, sofrer e azar. Dizem que azar e sorte são adjetivos contrários e sinônimos, pois sorte é acaso e azar também!
Às 13 horas de um dia 13 a menina da sombrinha vermelha, já não mais menina e do alto de seus 25 anos, deu à luz ao seu filho do meio, que por acaso não só filho do meio, também foi o neto do meio de seus pais... Eles que o batizaram, sua avó que, de madrinha da pia santa, anos mais tarde foi-lhe a benção de primeira comunhão e depois testemunha de sua crisma; seu avô o protetor de seus cachinhos de bebê e o portador das balas de hortelã que adoçaram-lhe a infância no velho quintal onde a menina brincara no passado, um passado que guardava as histórias de dez irmãos, a história da qual ela fora o sétimo rebento, a primeira usar mini saias, a mais ousada em tingir-se de rubros e esmaltes, a garota que desprezou um emprego para aventurar-se numa viagem ao exterior, a estudante que trabalhava enfrentando trens lotados nas idas e voltas para casa, a filha de uma união onde raízes italianas e espanholas deram-lhe um nome francês, o nome de uma antiga cidade, conhecida pela renomada academia universitária... Nancy!

Foi descobrindo essa personagem que um dia encontrei, na contracapa de um antigo livro de francês, uma dedicatória. No livro que ensinava através de imagens o idioma estrangeiro (regido até o início da década de 70 no Brasil), li certa vez: "Je t'aime Nancy". Eu sempre fui aficionado por livros, sempre tive neles algo de instigante, algo de provocante, tanto que meu primeiro sonho da vida foi ser um escritor, e no meio de tantas palavras que compuseram meus desejos envoltos em letras, acredito que ali que nasceu meu desejo de aprender essa língua. Dizia-se entre as pessoas que algo sabiam do idioma francês: Ah, é a língua mais linda de todas!! Acreditei primeiro para depois descobrir que eu também pensaria assim! Mas voltando ao livro, o livro de francês através de imagens... Por trás daquela dedicatória havia uma história e eu quis conhecê-la. 

Nancy fora a garota que desde cedo trabalhou (como todos seus irmãos) para ajudar no sustento da casa. Filha de uma lavadeira e de um "faz tudo", desses que são encanador, pedreiro, pintor; fora ela junto com um de seus irmãos mais velhos a que mais vezes acompanhou a mãe nas entregas de roupas pelas ruas da gigantesca São Paulo. Ainda muito nova tivera um problema de visão que quase lhe tirou a luz do dia, mas superado tal problema, Nancy foi a menina-moleque daquela rua sem saída onde viviam... Fazia pipas, carrinhos de rolimã, pegava rabeiras de caminhão, metia-se em brigas de escola, batia figuras, bolinhas de gude, pulava cordas, mas crescendo com os anos também varria o quintal, arrumava os caminhos daquele grande jardim e foi tornando-se a cozinheira de mão cheia daquele lar.  Já adolescente e trabalhando fora embarcada nos vais e vens dos trens metropolitanos da grande São Paulo, eis que surge um admirador, um jovem amor: Teco - o autor da frase na contracapa do livro de francês pelas e dentro dessa imagem, um irmão mais velho que mandaria amigos vigiá-la no colégio, algo que então ceifaria esse conto resumido em um breve "eu te amo" dedicado em língua estrangeira. 
Anos mais tarde a jovem se casaria com um de seus vizinhos, o garoto que lhe desenhava os trabalhos das aulas de artes. Seria ela quem por último sairia de casa para dizer seu "sim" em um altar... Assim faria a todos esperarem por sua chegada na igreja, numa tarde de janeiro no fim dos anos 70, ela mesma se aprontaria depois de pintar suas unhas sob a sombra do velho abacateiro onde brincou sua infância junto de seus irmão e onde brincariam mais tarde seus filhos e sobrinhos. Então, ao posicionar-se diante das portas da igreja, num breve olhar para os lados foi ele quem viu, o rapaz Teco, antes que começasse a Ave Maria e na contracapa do livro apenas três palavras em francês... Mas depois foi uma festa de família, foi a noiva com o vestido feito por uma de suas cunhadas, o brinde na foto daqueles irmãos reunidos, o bolo coberto de coco caprichado, os sonhos, a mudança para o interior junto de seu marido, seu primeiro filho já em seu ventre e a família de seu irmão - protetor dos tempos colegiais. Tudo novo, para que numa tarde de domingo a vida lhe fizesse ver a morte de seu irmão num trágico afogamento... Tudo triste e uma volta frustrada à rua sem saída onde um dia dançou sob a chuva com a sombrinha vermelha, presente de seu pai, seu desejo colorido. Tudo é um sopro e dois anos após o nascimento de seu primogênito, num mês de agosto, um dia 13, às 13 horas, viria ao mundo seu filho do meio, o neto do meio, o mistério do 13, algo de enigmático, algo de poder, de sofrer, de sorte e azar, mas sorte e azar são contrários e sinônimos!

Da ideia que faço dessa mulher nesse ponto da história, vem-me a imagem de uma foto 3/4 tirada aos 18 anos, em preto e branco à qual tive acesso algumas vezes...

Cabelos longos e escuros, olhos castanhos amendoados, pele alva e um sorriso contido que se repetiriam no filho do meio. Tudo de novo, a perda, pois dois anos mais tarde seu filho mais novo também veria partir... E sabe quando acontece de pensarmos em desistir?
Foi ela a defensora de seu amor em anos de juventude apaixonada, foi ela a grande batalhadora, a leoa que carregou pelos braços seus sonhos, suas dores, seus filhos, seus amores. Foi a mulher que edificou sua própria casa, foi a mãe que alimentou de seus filhos os desejos sonhadores e foi ela quem teve no mais velho os desafios que comprovam a fé e no do meio - feito o mais novo - os desabafos, as confidências, uma amizade que foi, que ainda hoje é!

Certo dia, entrando na casa de minha mãe, eu disse: Por quê a gente não tem a chance de desligar tudo na vida, voltar no início e começar de novo? Sabe mãe, viver é muito difícil! Ela, arrumando um vaso com flores, deu o suspiro mais profundo que já vi em alguém e sua reposta foi apenas: E é pra mim que você vai dizer isso?

Naquela tarde em plena década de 60 a menina esperou a chuva que enfim chegou, pegou sua sombrinha vermelha e foi passear pela rua exibindo seu mais lindo presente, sem se importar com o que diriam, sem pensar se estaria molhando-se da cintura para baixo, sem saber que se casaria com o vizinho que brincava com ela na rua, sem imaginar que viveria tudo que anos depois a vida lhe imporia, sem sonhar em estudar francês no colegial com um livro através das imagens e não sabia que tiraria aquela foto 3/4 aos 18 anos. Tampouco sabia que a contracapa de seu livro guardaria uma curta frase, a tradução de grande um sentimento por aquela jovem dos longos cabelos escuros e olhos castanhos amendoados.
E seu filho mais velho tentou ser um jogador de vôlei, de fato o foi, mas depois desistiu e casou-se, separou-se e novamente apaixonou-se, foi ser administrador, teve quatro filhos, dois casais, cuja a garota do meio (como seu filho do meio) guarda os mesmos traços da velha fotografia 3/4. O marido, companheiro de toda uma vida está lá. Da rua sem saída, na qual cresceram e para a qual voltaram após uma tragédia de família, saíram anos mais tarde em nome de seus sonhos. Hoje ele planta uma horta no fundo do quintal de sua casa no interior, dessas gostosas que a gente só encontra em casa de vó. O vizinho que desenhava-lhe os trabalhos de artes, junto dela desenhou também uma história da qual lutas não faltaram, mas vitórias foram o resultado de uma palavra chamada resiliência. O filho do meio, aquele nascido no dia 13 às 13 horas num mês de agosto, tornou-se muitas coisas e de fato dizem que sua história tem algo de enigmática, de contrários e sinônimos. É dessas pessoas artistas, que pensam o belo e fazem dessas coisas malucas, contemporâneas, que no fim todo mundo entende, mas só acha bonito ou o contrário também...

Eu que sempre fui um aficionado por livros, encontrei nessa história feita de elementos em pedacinhos, um grande romance digno de publicação. Eu que nasci numa tarde, às 13 horas de um dia 13 de agosto e fui o filho do meio, o neto do meio, com meus cachinhos protegidos pelo avô "faz tudo" e fui três vezes afilhado da avó lavadeira sob dogmas de sua fé, aprendi com essa história, da qual parte faço, que a felicidade dos sonhos não está em realizá-los todos, mas no tentar alcançá-los. Então, eu fecho meus olhos e penso na chuva, fecho meus olhos e penso na menina faceira pulando naquela rua sem saída, com sua sombrinha vermelha, seu presente sonhado, o mais bonito. Me lembro da jovem de cabelos longos e escuros, olhos castanhos amendoados, de pele alva... Me vejo diante do espelho, enxergo o seu reflexo em mim, daí entendo que os sonhos nos protegem da tormenta, mas que a gente precisa pedir pela chuva para enfrentá-la com a força dos sonhos e assim exibir uma felicidade inocente sem saber do devir, uma alegria sorridente, como aquela da menina da sombrinha vermelha!

- Mãe,
quero lhe afirmar
que minha lembrança
mais antiga entre nós
é de uma tarde
em que você lavava
roupas no tanque 
e eu lhe enchia
de "por quês"...
Saiba, apesar do tempo
apesar de tudo
você nunca me deixou
sem qualquer
resposta!!! -

"JE T'AIME NANCY"

31 de agosto de 2014

O Concreto e O Abstrato

Querido Pedro,
preciso confessar-te uma coisa: eu sonhei um sonho que a vida roubou de ti!


E eu preciso muito mesmo saber onde estás agora entre as estrelas, já que há noites em que procuro falar contigo, querido passado que nunca vivi e mesmo assim, tanto quero bem! Por onde andaste nos últimos anos além de nos desérticos pesadelos de nosso bem? Tu que foste o sonho realizado e vivido nos anos daquela juventude, por onde te perdeste no labirinto da eternidade a procura do olhar que contemplo agora? Nós dois sabemos que é ele a ponte que uniu para sempre nossos mundos nesse mundo, dessa vez... Mas eu agora começo acreditar que houve um tempo, muito distante, muito ausente desse presente, onde vivemos todos juntos alguma história muito grande, imensa e tão forte que precisariámos de mais essa chance para completá-la. Quando ao buscar-te entre o brilho dos corpos tão altos, clama meu peito um alento, um afago, o aconchego de um amor que tu deixaste para trás sem querer e meu amigo Pedro, é sorte minha o azar da tua morte? Deveras eu nunca encontraria aquela profundeza castanha de outras vidas se tu não tiveras sofrido e assim ido; isso pesa em mim tanto agora que ecrevo-te tão sinceramente. A tua partida foi minha chegada dentro de um coração, um oceâno abandonado como o de Netuno... E existe ali o navio naufragado nas profundezas de suas lágrimas que seco a cada dia e cerco em certas horas de alegria, em outras horas de paciência ou algumas (bem poucas) de tolerância, com amor e uma resiliência que acredito, vem-me de ti.

Acontece querido Pedro que eu quero sinceramente findar todas aquelas mágoas e cada dor que a tua ausência deixou, eu sofro e sozinho vejo-me o privilegiado entre nós dois. Então me questiono qual de nós aqui na terra encontrar-te-á na imensidão, algum dia, de alguma forma? Eu estremeço por dentro em meu dilema sobre esse encontro, pois estou certo que antes de tudo será um acerto de contas. Me desespero em pensar que poderá ser nosso amor comum quem o verá no fim de um corredor para luz e assim ao expandir junto contigo, esquecer-se-ia de mim e assim eu ficarei sozinho sem saber mais como viver e nem o verdadeiro motivo das coisas. Por outro lado, se encontrar-me diante de ti entre as portas e a luz, então o terei deixado e ele uma vez mais derramará sua vida em tristes prantos de uma solidão que já viveu, onde muito já perdeu, mas que sendo o forte coração que cuidou-te, amou-te e que a mim entregou-se, sobreviveu!
Amigo Pedro, onde estão as chaves que perderam-se quando tu te foste desse mundo? Onde está o mundo do qual ouvi primeiro falar e onde mora um brilho moderado dos castanhos olhos do nosso grande amor? Algo apagou-se ali e eu gostaria de saber se é possível ascender as velas sobre os castiçais do salão onde a valsa fora interrompida. Tu me entendes? Eu preciso provar ao nosso nobre coração que ele salvou-te, de todas as formas que um humano pode salvar a outro humano. Eu preciso provar que foi ele quem fez teus vinte e poucos anos serem os mais doces, os mais ternos, eternos dentro de ti. Ajuda-me e perdoa-me se o que te peço é amar o teu amor, o meu amor é teu então, agora sei que tu me amas como a ti eu também, obrigado!
Houve um dia, quando fui mais jovem, em que acreditei em tantas promessas. Nesse tempo as promessas machucavam-me quando eram mentiras descabidas, quando eram apenas mentiras. Houve um tempo em que as verdades não me interessavam nada, não me importavam, pois minha única preocupação era viver e viver, um dia e outro. Mas eu encontrei alguém que marcou-me a alma, e quando me lembro de suas poucas palavras, numa conversa informal, me emociono porque pensei que o queria todo para mim. Eu empolguei-me, lhe tive os beijos e os abraços, um louco amor entre os meus braços de uma noite cheia de estrelas... Tu já estavas aí mirando-nos, providenciando todo o encontro e como sabes, apaixonei-me e ao conter-me naquela despedida apenas quis saber como encontrá-lo depois. Foram dias emocionados que atravessei vagarosamente na espera desse novo encontro que nem certo ainda era, mas dentro de mim era e foi a alegria mais sublime ouvir a sua voz que me disse sim a cada convite, cada novo encontro que fizeram-me sangrar por dentro em um pacto silencioso com meus princípios e meus novos sentimentos. Ah, era ele um artista, um poeta, um admirável poliglota, encantador precoce pianista, uma jóia... Tua jóia, teu poeta, teu artista e eu sofri!
Pedro, meu amigo entre os astros, foste tu quem me escolheu? Foste tu naquela praia, numa brisa serena quando eu disse ao nosso bem se queria só mais uma vez estar comigo? E foste tu quem me soprou aos ouvidos que o buscasse e o amasse, que o acolhesse e fundo em seus olhos enxergasse o meu coração? Aos pouquinhos eu fui ganhando a conafiança e aos pouquinhos os presentes humanos que com ele vêm, os amigos, os companheiros de um trabalho lindo e os sentimentos de um artista sensacional. Eu imagino quantas vezes tu também te sentaste no escuro para ver suas criações sob a luz de um palco, mas suas personagens machucadas só existem agora, depois de ti... Eu também quero vê-lo sorrir da mesma forma como tu o viste!!
Meu caro confidente, eu me despeço e te peço apenas uma coisa, apenas essa: Volta!
Revive de alguma forma, sob alguma existência que nos faça saber que estás conosco outra vez, sê o sentimento entre nós ou uma conquista que devolva a felicidade completa do nosso amor; esteja conosco até que possamos estar distante daqui contigo, um dia, talvez... Volta, devolve o riso e o sorriso que tu mesmo percebeste mudar na alegria sempre contagiante do nosso bem e permite-me sentir a plenitude do que foram tu e ele, naqueles anos joviais. Eu o assumirei como tu nunca pudeste e eu enfrentarei todo esse mundo como tu eu sei que quiseste e inspira-o a seguir, a gerar e abrir novamente as cortinas de um palco de onde o mundo precisa vê-lo atuar e agir.


Por nosso orgulho, o nosso náufrago vencedor, teu mundo passado concreto e meu mundo futuro abstrato, nosso querido encontro de um doce e transcendente amor; eu te prometo nunca decepcionar-te a missão confiada de ser-lhe o amor que dele cuidará como também ele cuidou-te e salvou-te de tantas formas.



Sei que um dia nos encontraremos todos,

Edu.


- Existe um mundo
que eu não sei de onde vim
e nele habitam
o futuro e o passado...
Quando saberemos
dos motivos
dos encontros?
Eu ainda não sei, mas saiba,
eu amo você,
de todas as formas
com todas as forças
que o passado me negou
um dia!! -

16 de julho de 2014

A Aliança

Os meus joelhos estão machucados, machucados demais, pois as orações já não surtem efeito... E as minhas mãos estão também tão cansadas, pois tenho sofrido há tempos com esse cabo de guerra que me imputa a vida!!
Tenho pensado em você e aceitado que existe uma certa missão, então me vejo entre seus medos, pois no passado eu que sofri do mesmo, busquei o fim sem encontrá-lo. Dentro de mim houve um silêncio, que sinto agora, está em si e entre os sonhos que vou nutrindo, eu me coloco no seu lugar. Tenho vontade, às vezes, de lhe bater, de lhe dizer que chega, que já é hora. Mas afinal, qual é a hora em que se escapa de um pesadelo?
Eu sei da dor que mata, da dor que arrasa e que condena. Eu sei dos medos, dos desesperos, dos dias tensos, da solidão. Eu vejo em seu entorno tudo que um dia me assassinou, mas acredite, palavra de camarada que é muito sério, a dor machuca e um dia acaba quando se sabe que certos sonhos não voltam mais!

Escreva uma carta bem longa
e diga nela tudo o que pensa.
Você aguenta perder um pouco
só se esse pouco lhe faz feliz?

Escreva nela todas as coisas
e de repente olhe pra trás.
Você entende que tudo muda
quando seus olhos mudam também?

Escreva um verso da poesia,
você consegue fazer rimar!
Saiba que os versos são alma
e fé, uma mudança, uma façanha.

Escreva ainda sobre a alegria
felicidade não é pra sempre.
Saiba que o mundo indiferente
é bem maior que sua busca.

Escreva sobre os seus valores
todos os ganhos que almejou.
Diga na carta da sua mágoa
repita tudo, o medo, o rancor.

Escreva os dias que já viveu ou
escreva sobre os que deseja.
Você verá que ainda há tempo
e se quiser, ele a erguerá.

Na minha história existe um fato que é recorrente, trocas de juras, grandes promessas que viram amor para contar... As uniões são os concretos fatos e de fato, são lealdades para honrar. Na minha história resiste o acaso de algo para firmar, dentre os exemplos que eu lhe daria, estão: as alianças, que vem e vão, mas nunca se vão de verdade, pois elas existem e resistem pelas promessas. Quero dizer que não há o desistir da vida, apenas o desistir de nós. O simbolismo das alianças está pra isso: nunca deixar que acreditemos, que aceitemos, que estamos sós!

Clegue,
uma coisa é
pura, uma baita 
verdade:
Nunca desistirei
de nós!!
- É muito difícil
encontrar paz no peito
de alguém... A mim
tampouco
importa, se 
no peito de um
homem, se no peito
de uma mulher
ou se no peito, no valor,
de uma amizade! -

Seu amigo aqui ama você, e por isso, nunca se imagine só!

7 de julho de 2014

A Carta Interior

Sabe que quando resolvi ser o autor das Cartas ao Interior, a carta que me inspirou a começar a escrever poemas, contos e outras cartas, para as pessoas que eu amo, fora escrita para mim quase dois anos antes e nela seu autor me deixou a seguinte mensagem: no percurso de toda essa viagem que é a vida somente uma energia, um sentimento, uma forma de existir vai e fica com todos o seres que se deixam encontrar e é sobre isso que eu vim lhe falar agora.
Aquela carta escrita, de próprio punho, nunca foi envelopada, selada e postada. Ela nunca chegou, ela foi guardada dentro de um livro, um dia eu a achei e para a minha surpresa, ali tudo começava com a descrição de uma noite cerca de um ano antes da minha mudança de Curitiba, voltando a viver em São Paulo. A observação que fez seu autor a meu respeito, sobre a cena daquela noite, concentrava-se sobre o fato de meu riso e o meu sorriso já não serem mais os mesmos e eu realmente não era ainda o mesmo, pois aqueles olhos que me observaram sem que eu percebesse conseguiam enxergar a minha alegria, a minha alma e o meu coração.

O amor tem dessas coisas... Até mesmo o excesso de muitas outras, todas elas tão contraditórias e complementares, então me pego pensando que uma vida sem a vontade de ser feliz junto de outra pessoa nos deixa incompletos, talvez, menos humanos!
De repente algo acontece e passamos a olhar para alguém por sentir uma cumplicidade única e a medida que essa cumplicidade cresce (e o relacionamento se aprofunda em todos os sentidos), novas formas de viver se assumem e em meio a elas assumimos também o olhar que o outro tem sobre tudo que nos envolve, o nosso mundo!! De repente, parece mesmo ser tudo lindo, além de você e do outro, existe agora uma força, um poder que o torna capaz de tudo nas frentes de batalha, fora ser motivador, engraçado, complexo... Existe um sentido muito importante para que os sonhos se realizem!

Do amor, quero guardar todas as lembranças e das lembranças, de alguma forma especial, todos aqueles que o trouxeram pra perto de mim. No amor, quero entender as minhas barreiras, ter certeza que nunca o terei desperdiçado e para quem hoje escrevo essa carta é muito importante dizer que foi consigo que muito de mim voltou a ser especial. Obrigado, como eu amo você!

Sabe, você acredita em destino?
Eu acredito que aconteceu algo comigo. Quando li aquela carta, descobri que o amor pode até mesmo matar e pode fazer você perder tudo aquilo que um dia procurou. De repente eu via a pessoa que amei se despedindo de mim e acho que ali desacreditei do destino. De repente eu passei a viver em um mundo sem cor. Um dia eu conheci um estudante de filosofia, um dia eu já sabia que ele era um grande amigo. Então de amigo ele me propôs uma história dessas que trazem à tona a força pela qual tudo pode se realizar. Um dia, o já filósofo e eu nos demos a chance e resolvemos ter a tal união que nos faz mais humanos, um dia acreditamos em todas as outras coisas que ouvimos sobre o amor.

Sabe, eu me lembro de você chegando. No dia em que nos conhecemos você me disse que o amor, às vezes, nem é tão importante. Mas acontece que o tempo todo a gente só se amou. E eu falei milhões de coisas e você riu e sorriu. Eu contei algumas histórias engraçadas para logo depois você me contar a sua vida quase toda e eu me lembro que ri e sorri o tempo inteiro. Eu fiquei tanto tempo sem sentir aquilo! De repente as profecias se cumprem e de repente os desejos se realizam, as estrelas se alinham a gente reconhece uma constelação. Um dia, aquele estudante de filosofia abriu uma porta para mim e, anos depois, você reabriu todas as janelas para a luz voltar aqui dentro do meu peito. 

Do amor, quero guardar aquele dia em que lhe conheci e, com ele, todos os motivos que me fizeram sorrir e rir outra vez, com você... Quando eu me dei conta, aquela força estava de volta em mim e eu acredito que, às vezes, o destino pode enganar, mas também pode surpreender.
A carta interior falava disso tudo. Falava sobre mim e também sobre aquele estudante de filosofia, falava sobre nós e o nosso mundo forte. A carta interior falava de esperança e falava de azar, também falava de desejos e de um mundo onde eu ficaria só. Eu chorei muito e por muito tempo mais. Eu guardei aquela carta como uma prova do que era verdade, como prova do que era o amor, esperando que um dia ele voltasse.

Naquele dia em que lhe conheci, de alguma forma eu reconheci uma chegada e daquele dia quero guardar com todo o meu amor, esse seu mundo. Do amor, quero dizer que: o destino de repente existe e insiste que a todo tempo vale a pena sonhar.
Um dia o estudante de filosofia me disse: "Eu te amo" e um dia ele teve que partir. Em sua carta interior me pediu muita força e pediu à vida que um outro alguém me amasse em algum momento, algum dia... Saiba que eu precisei da morte para entender uma ressureição, eu precisei do tempo para curar feridas, esquecer palavras e solidão.

Sabe, você acredita em destino?
Eu estou certo de que aconteceu algo comigo. Quando eu resolvi escrever essa carta para você, a intenção era agradecer e lhe dizer que a força que tudo transforma voltou para mim pelas suas mãos. Queria dizer que o destino tratou de me fazer entender tudo o que aconteceu comigo e que a mesma vida que me tirou a alegria na juventude, me trouxe tudo de volta na maturidade dos dias de hoje. Preciso dizer que o amor dá uma vontade louca de ser feliz, que se em certos momentos nos faz morrer por dentro, depois nos faz reviver. Na verdade, eu sempre acreditei em destino. Por conta dele, agora você habita em meu interior e é por conta dele que a nossa história existe cumprindo com as preces daquele outro amor, que ao morrer, clamou a Deus por minha vida. Eu acredito nas profecias, acredito nessas preces nascidas do sonhos, dos desejos e da esperança!

Um dia o coração daquele filósofo escreveu-me uma carta que jamais recebi, eu a encontrei. Nela pediu-me que, se perdesse a força, ainda sobrevivesse e desejou que um novo olhar me reconhecesse e me guardasse com amor. Um dia eu vi seus olhos sorrindo para mim e o meu coração renasceu feliz. No meu peito, nos meus sonhos, no meu interior, estou certo que o amor é a cumplicidade que existe e cresce entre os nós dois, em nossas ações e visões. O "amor da minha vida" se chama: você sempre comigo ou eu, agora, jamais sem você!  

Edu,
meu tão querido companheiro...

Dizem que as coisas
mais belas sobre o amor
são ditas no silêncio
dos olhares.
Há verdade nisso, pois
seus olhos me dizem sempre
que esperar sua chegada
foi acreditar
que meus sonhos voltariam
e se tornariam realidade!!!

- EU AMO VOCÊ -

4 de março de 2014

Fluídos

Na inconsistência do mundo
meu mundo morreu, mas há sagrados
escritos
que prometeram um brilho novo
e eu de novo, mais uma vez,
me dirigi ao contrário e me revi assustado
buscando as mãos que só fazem tocar.

Na incoerência da vida
algo em mim acordou, reviveu, um silêncio
marcado
que não me deixa esquecer
das lições do passado, mas me encontro
calado e muitas vezes distante ou mesmo
abismado aos olhos que só sabem ver.

Na brevidade dos lindos sonhos
foi meu sono, que atordoado, desapareceu
tão solitário
que nunca, não mais reapareceu
e se eu resisto, tão logo eu insisto
numa promessa, numa professa energia
aos planos que só pedem o existir.

Foi por um verso insano, quase febril
que algo diferente, de tão coincidente
se abriu:
que não há sortes obscuras
das frases sonoras, dessas onde procuras...
É de olhares dormidos em silêncio, que
nascem as mais belas coisas do amor? 

- Das poesias que faço, 
minha honra está em cumpri-las!!

Querido Guilherme é a primeira vez 
que uma carta ao interior
é dedicada à alguém no futuro...
Não sei porquê, acredito em algo
que não sei o quê!

O poema prometido, eu lhe dedico
e lhe abraço, com ele
lhe bendigo
e afago! -

4 de outubro de 2013

Planos de Poeta

Quero escrever algo novo,
de repente eu quero escrever 
algo velho.
E outras vezes eu me canso 
de mim e do todo
eu quero que tudo vá direto
para o inferno.
E se eu quero que o novo

se escreva, pode ser que de
uma hora pra outra,
eu trabalhe pra isso... Mas eu
acredito que não vou fazer
nada, nada, nada mesmo
à respeito e sigo.
Eu quero que o mundo se exploda,
que toda essa gente babe
vermelho;
eu quero que os coitos me
humilhem de novo pra eu rir
da minha boca malvada.
Se eu fosse poeta de monte,
de monte iria escrever bem doce
sincero...
Do dia que teus olhos me fitaram
depois do encontro e do berro
e dos palacetes criados
bem onde viveu o nosso mistério.
Eu adoraria dizer tido ao inverso,
palavra que eu juro
que é tudo que eu quero:
Morar numa beira de balanço.
Voar pela noite fazendo meus
versos.
Gritar para Lua que o Sol é mais
forte, mas acho que ela rirá
mesmo disso.
Eu sou inocente, sou meio tacanho.
Eu sou uma folha que morre
no inverno.
Eu vou jogar essas regras, um
tabuleiro incerto.
Querendo ou não escutar o que
digo, as gentes serão
meu desajuste e o resto,
de tempos em tempos eu acredito
em mim,
há dias tão quentes no labirinto
deserto.
Mas eu quero escrever a poesia,
o verso tosco,
meu mundo todo concreto!


- Érica,
és uma lembrança do
tempo mais terno,
em que juntávamos discos,
poemas e bolos
em tardes de amizade e
afeto.
Quero que saibas 
de um amor
que eu aprendi no colégio,
foram anos
das nossas cirandas
e de sentimento
sincero -
Saudades!!!

18 de setembro de 2013

Saudades da Poesia

Entre o silêncio dos anos, voando passam os sonhos
que com o peso dos dias mais asas nos fazem querer
e o voo ainda é espera, de um dia ver tudo do alto
saudades são longas esperas,
saudades são mundos distantes,
saudades são anjos calados.

Entre a certeza dos planos, que rápido mudam de cor
seus temas não mudam jamais, pois revivem dos atos refeitos
e o salto ainda é entrega, que o filho do tempo
se chama Saudade Coragem,
se chama Saudade Esperança,
se chama Saudade Futuro.

Entre o silêncio das preces, correndo passam os tempos
que com o árduo degrau da vivência nos faz amadurecer
e o abrir ou fechar de portas num corredor de escolhas
são saudades das palavras não ditas,
são saudades das alegrias bem vindas,
são saudades da amizade e do amor.

Entre a certeza dos caminhos, que lentamente existem
seus pedregulhos pontudos, são as lições que nos obrigam a ser
e os desafios ao novo, sempre nos levam de novo a crer
que saudade é como um encontro,
que saudade é como uma história,
que saudade é dizer "orgulho se olharmos atrás"!

- Marcela, 
quero que saiba de mim, 
riu o tempo e depois me sorriu.

As histórias nos fazem crescer

e nos fazem pensar,

que se não fosse por ele, o tempo,

que saudades eu iria guardar? -


Um beijo carinhoso do seu cunhado e amigo!! 

25 de junho de 2013

Oração ao Retorno

Quando hoje eu me lembro de você, a ordem dos reflexos são: primeiro eu sorrio e logo os meus olhos inundam e depois são saudades imensas, um vazio que parece me dizer "reviva, prossiga e complete", mas eu me pergunto sempre, afinal como?

Eu vou viver e por enquanto, a minha história fica assim, meio distânte de mim mesmo. Eu me divido entre o passado e o presente, poucas vezes eu sonho realmente com o futuro e mais recentemente eu viajei, eu me deparei com alguns dos lugarzinhos em que estivemos juntos, ao unirmos da forma como você me pediu... Eu vou atender seu pedido, de que eu seja de novo muito feliz, mas antes eu precisava deixar-lhe aqui as minhas saudades, o meu bem querer e a minha libertação!

Essa é a sua carta interior, meu querido anjo...


E se posso olhar os dias que acontecem agora,
posso andar mais uma manhã pelas mesmas ruas,
posso encontrar-me com tudo o que fui ontem,
posso andar mais uma tarde pelos mesmos momentos,
posso deparar-me com tudo o que sonharei amanhã,
posso mais uma noite, só mais uma, amar você!

E se tento aceitar nos segundos que voando passam,
tento neles depositar as minhas saudades,
tento achar-me vivo nos minutos que ainda conto,
tento neles sorrir para a verdade e aceitar,
tento despedir-me de tudo que nessas horas resiste,
tento mais uma vez, só mais uma, enxergar você!

E se creio que a felicidade me visita nesse presente,
creio que tudo acontece aos olhos da vida,
creio entender-me enfim com o passado,
creio que há muito ele também esperava por mim,
creio reerguer-me então para o futuro,
creio que devo, sem mais demora, à você dizer adeus!

Ave, bendito seja aquele instante,
em que sua porta se abriu diante de mim.
Ave, bendito seja aquele momento,
em que o meu amor se abriu diante de você.
Ave, bendito seja aquele tempo,
em que um mundo inteiro se abriu diante de nós!


- Quando você se foi de mim, 
meu mundo não quis acreditar
e o meu coração só pedia "por favor volte!!"
Mas o tempo foi passando e eu soube
que você não ia mais estar, então
eu quis ir embora, fugir, desistir!
Eu hoje sei que existe algo a mais 
que me explicará no futuro o motivo,
a lição e a resposta a isso tudo.
E você, meu querido Pedro, estará
para sempre guardado no lado mais 
doce do meu coração!! -

1 de abril de 2013

A Cápsula dos Sonhos

Quando eu fui triste,
foram dias de Sol e calor
depois quando eu fui mais feliz,
choveu aqui dentro do meu peito
e se eu tivesse o poder de ser-te
por apenas um momento
eu me veria daí para entender
o que de fato é em ti,
a minha forma de oferecer
cores em ações
e pensamentos,
palavras e reflexões,
esculpir o concreto
nesse muro que outro dia
eu escalei no meu sonho,
invadindo teu pesadelo.

Quando eu fui triste,
foram tuas duas mãos lidas
depois das minhas e eu fui mais feliz,
pois eu voei alto perto do teu amor
e se eu tivesse uma forma de dizer-te
ao menos por algum tempo
qu'eu sentiria na minha vida
e o que ela refez por ti,
então conformo-me sobre a verdade
que deforma a minha vontade,
do mundo que fui construindo
sobre teus olhos,
pendurando as estrelas
nesse céu que outro dia
eu achei lindo no meu templo,
e no teu altar.

Quando eu fui triste,
os lobos viriam atrás de nós
depois quando eu fui mais feliz,
desatei as tuas amarras naquela prisão
e se eu soubesse com que palavras contar-te
mesmo que fosse por um breve instante
que os degraus da torre
são os dias dedicados contigo, 
a velha mania de aproximar
a minha felicidade,
essa que de verdade eu acredito,
que vai surgindo aos poucos,
mas eu ofegante parei e desisti,
e então tu voltaste
e eu achei ser a minha chance,
a tua presença ao meu lado.


- Jeferson...

Pois bem, é muito verdade que
as minhas chances só estão em mim, 
e dentro do meu peito, o "meu sonho" 
é certamente maior!!

Desejo que sejas muito feliz, 
sempre!!



10 de fevereiro de 2012

Soneto para Daniela

Minha oração agradece hoje aos sinais da vida. É tão difícil sofrer as perdas que o destino nos impõe e assim, o alento pode explicar realmente que uma porta se abre quando uma outra fechada foi...

Eu agradeço pelos erros que me trouxeram os acertos.
Eu agradeço que o aprendizado tenha ao menos me regalado com algumas das personalidades que encontrei até hoje em meu caminhar!!
Eu agradeço por uma tarde que trago na memória. Uma tarde em que fui convidado a convidar. Nunca me esquecerei de você, lá no meu portão...
Poucos minutos depois já estava nos desafios meus.
Eu agradeço porque a vida nos deu a chance do reencontro com o encontro.
Eu agradeço porque desses dias, foi impossível não aprender mais sobre a honestidade.
Eu agradeço, pois mesmo sem saber, você me devolveu o que os outros antes me roubaram.
Eu agradeço que nossa história LEAL tenha nascido de capítulos do REAL e não das lições teóricas da maioria humanóide.
Eu, hoje, quero dizer que foi você quem me fez voltar aqui e retomar os meus textos, pergaminhos, minhas cartas.
Querida Dani, você me é tão especial!!

...

Se os movimentos das peças atingem o castelo
Ver cair um a um os inimigos do Rei
Entre os olhares atenciosos da Lei
Vão construindo a eternidade de seu elo.

Se o violento marchar, sem mirar alvo em duelo
Ver-se abrir o caminho reto rumo aos nobres
E sofrer ou perder, merecer entre os pobres
Podem crer no dia em que tudo passará a ser belo.

Se o truque pode enganar a estratégia alheia
É mais justo então que a lealdade permaneça
E que as palavras apenas sentenciem os ladrões.

Pois os escravos seguem presos nos sombrios porões
É mais justo então que a verdade se esclareça
Caravelas ao infinito mar que toca cada grão de areia.

Dani,
minha delicada amizade
como as dobras de um origami...
... a impressão que tenho,
é que descobrimos juntos a estratégia
de aprender!!

Você será sempre, sem dúvidas,
uma das mais queridas gratidões que tenho
com a vida!



19 de fevereiro de 2009

Carta ao Pintor

Do emissor, a gratidão.
E à juventude, um breve afago...
São nossas lembranças, as mais colhidas.
Em cestos cheios;
Em horas plenas;
Fantasia, encontrar motivos e entender...
Memórias, pessoas, rimas!

Ao receptor, a provação.
E à estrela da manhã, um brilho-luz...
Fossem apenas recordações, nem as teria.
Em dias incertos;
Em momentos abertos;
Criação, descobrir motivos e realizar...
A arte, as tintas e pinceladas!

Do emissor, a solidão.
E da graça, um doce e verdadeiro sorriso...
São nossas rotas, as tais manias.
Em certos quadros;
Em certas pranchas;
Rabiscos, reunir vazios e preencher...
Histórias, as almas, vidas!

Ao receptor, a provocação.
E da miséria, um godê cheio de sonhos...
Fossem simples aptidões, pouco as usaria.
Em tons mais claros;
Em formas raras;
Texturas, fabricar idéias e executar...
À parte, testemunhas e admiração!


Seja antes de tudo feliz!
Grandes vibrações amigo,
na grande tela de tecido cheio de goma
cada momento em recordação.
Ao leitor de filosofia e horas pintor,
Alan, um abraço meu!

20 de novembro de 2008

O Pergaminho D'Aninha

Quando os tempos de inspiração partirem,
quando os tempos de inspiração já não existirem,
estarei aqui, estarei ali ou em qualquer lugar.

Eu farei muita força mesmo, eu fecharei meus olhos,
eu sempre acabo sendo assim...
Quando cada momento representa algo, eu represento
nesses momentos, cada implicação ao novo, de novo, um dia.
Mas basta do mesmo, são desejadas chegadas,
das “nunca” separadas partidas!


Quando em ti, cada traço de raízes desenhadas,
quando em ti, cada invasão inspirada venha para mostrar,
estarás aqui, pode que ali ou nalgum lugar.

Eu recordarei sempre com muita paz, eu abrirei os olhos
para ver que segues sendo assim...
Quando cada lembrança traz algo de volta, eu imagino,
nessas lembranças, cada tentativa nova, de novos tempos.
Mas basta do sempre, são conhecidas chegadas,
das “mesmas” dolorosas partidas!


Quando os temidos dias de saudades chegarem,
quando esses temidos dias de saudades não se possam evitar,
estarei ali, ou mesmo que aqui, não sei em que lugar.

Eu tentarei com tanta verdade, eu olharei em minhas mãos,
para entender que um outro tempo é assim...
Quando cada idéia acredita em tudo novo, eu acredito
nessas idéias, cada chance do fazer eterno, em outras fases.
Mas basta de um dia, as esperadas chegadas,
dos “muitos” pontos e partidas!


Minha querida Ana Beatriz,
à francesa, em contos bem espanhóis -

Amo você!

6 de novembro de 2008

Depois da Bilheteria

Estava aqui pensando a respeito de uma estória que conheço, acho que é uma estória que vivi, em partes, de certa forma...
*
A garota da bilheteria era cheia de sonhos, belos sonhos. A garota da bilheteria sempre fora alguém vivaz e tal característica, tão forte, tão latente que posso então definir assim: a garota da bilheteria sempre foi uma de suas personagens preferidas, aquelas do cinema, aquelas da grande tela que depois de vendidos os bilhetes e de fechadas as portas, espiava vez ou outra, dia após dia. Antes do começo das filas, ali estava ela com um caderno, um diário – onde escrevia seus pensamentos, onde escrevia nomes em corações gigantes, poucas cores, muitos pensamentos, sua forma de ver o mundo.
Fico imaginando como deve ser curioso o trabalho de um bilheteiro, nesse caso bilheteira, mas tudo bem... Fico imaginando que se pode ver de tudo, pessoas bonitas e feias, pessoas alegres e estranhas, pessoas diferentes de você pedindo uma meia, uma inteira, carteirinha de estudante, “duas, por favor” e tudo o mais!
A garota da bilheteria não parecia importar-se muito com isso, sempre agradável, tratava de fazer seu serviço e lidar de forma cordial com os visitantes, os espectadores... Certo dia, louca de curiosidade para assistir um filme que entrara em cartaz, preparou tudo e ficou alerta pra quando a fila terminasse e as portas se fechassem, pudesse então correr pro cantinho de uma das portas e entre as cortinas, ver o filme que tanto queria. Justamente naquele dia “puxa um cara atrasado!”, chegou e fez com que perdesse o início, na verdade os trailers, que ela tanto gostava de ver... Mas atendeu-o e pensou ali na sua: “Cara bonitão”.
Curioso foi, que a garota da bilheteria não percebera, porém tanto tempo de filme e uns minutos na tela e outros tantos buscando ao rapaz atrasado pela platéia. Escuro, não conseguia ver! Pouco a pouco esqueceu, fixou-se na trama que contava em paralelo ao caso de amor extremo, o caso de amizade entre as pessoas, um grupo de amigos e suas aventuras, esperanças e idéias. A garota (como sempre em todos os filmes), viajou, criou coisas e fantasiou, mas entendeu, solucionou e mesmo que por pouco tempo, mesmo que por algum tempo, refletiu coisas da vida e (como para os que enxergam além) tomou os exemplos.
Pouco antes que terminasse a exibição da película, ela percebeu um feche de luz no outro canto da parede, na outra saída, o movimento das cortinas... Rapidamente, se colocou para fora da sala (curiosa como era) e viu que o rapazote do início daquela sessão, o bonitão atrasado, partira sem ver o final do filme. A garota ainda mirou-o e pensou: “Ai, ai. Mas é só mais um cara bonito”. Quando voltou para a entrada da sala, o letreiro dos créditos subia e que droga, ela perdeu o final tão esperado e agora nem teria mais graça, mesmo que o visse de novo e de novo, ali todos comentavam a cena final e vê-la nem lhe interessava mais. Voltou para a bilheteria e começou a escrever em seu diário... coisas, até que começasse a nova fila de pessoas estranhas. E sabe o quê é realmente muito curioso nessa estória toda?
A garota da bilheteria soube a opinião dos outros a respeito do filme. Ouviu, e como ouviu a respeito do certo ou errado na trama! Mas aquele moço bonito e atrasado que pagou para perder o fim, pouco entendeu da estória. A garota, na verdade já sabia o fim, tinha ouvido críticas estrangeiras, mas queria ver o desfecho e o rapaz atrasado, só mais um atraso para perder mais um fim!
*
Sem bilheteria, filmes, garota vendendo entradas e bonitões comprando tickets de uma sessão de cinema. O que há, é uma pessoa que se colocou à experiência de se ver, sentir e tentar, com muito êxito. O que há também são pessoas que pagam por uma “sessão” sem se darem conta dos valores... E quem foi que disse que o fim chega quando se acendem as luzes da sala de projeção?

O que há, são pessoas aprendendo sobre os fins, entendendo o que cada um representa e outras fugindo deles e de si!

As juras de “para sempre” existem
nas intenções, mas às vezes...

É de uma saudade imensa e de uma fidelidade louca!
- Escolha acertada essa de sempre olhar pelo corredor,
minha doce e forte Reginice. -
Um beijo pra você!!

22 de setembro de 2008

O Retorno de Saturno

Giram os mundos e em mim, cada momento!
Giram os mundos e de verdade, percam os sonhos,
mas nunca todos!
Que seja distânte, que seja constânte e seja assim...
... apenas sonha, mas nunca deixes de ver a realidade das estrelas-guias!
Giram os mundos e em ti, cabe sempre mais um!
Giram os mundos e a ti, sempre outro bom pensamento,
prisioneiro interno, desejos e talentos...
... amargos amores, amizades,
dia de renascimento!!


Criam os muros e em mim, cada silêncio!
Criam os muros e de mim, percam os passos,
mas nunca todos!
Me achem amante, me achem falante e saibam de mim...
... com tudo a sorte, mas nunca impura de uma realidade que me finda!
Criam os muros e em ti, todos os tijolos concretos!
Criam os muros e a ti, como outrora, passagem trancada,
admirável inferno, cortejos ao relento...
... são juras e promessas, caridades,
dia de recolhimento!!


Reviram as malas e em mim, cada abraço!
Reviram as malas e de mim, entendam as mensagens,
mas jamais cada uma delas!
Que seja perfeito, que seja incoerente e toquem a minha alma...
... segundo os presságios, um dia tudo volta, espero calado e pouco armado!
Reviram as malas e em ti, cada pouquinho da lembrança justa!
Reviram as malas e a ti, ainda hoje, esteja aqui sempre,
lamantáveis kilómetros, são saudades e só...
... movimentos diretos, peças que se movem,
dia de reconhecimento!!


Selam os envelopes e em mim, linhas quietas!
Selam os envelopes e de mim, as notas que falam de tudo,
e hoje, existem planetas tão perto!
Me achem um louco ou me achem sincero, não importa...
... vivos olhos, são os teus, que se voltam sobre a história sempre regressada!
Selam os envelopes e em ti, nós desatados para um dia livre!
Selam os envelopes e a ti, quantos envíos mentais...
... meu amigo dileto, sempre voltam os pesadelos e as doses amargas,
mas felizes um dia, um dia...


Lições com as peças nas mãos!!
Nossas prosas em "cheque", nossas trovas
em "mate" .

- Ao meu querido Paulo, meu amigo Pajé,
de muito longe, sempre saiba
das distâncias e das voltas;
os "planetas" voltam, retornam,
mas nunca iguais!!

26 de julho de 2008

Arquivos

Contemplar a violência dos dias, e só dessa forma entender que ser atropelado na vida ou por ela, pode fazer cada um de nós experimentar a latência dos sonhos, contrários aos pesadelos e somados ao pouco entendimento que precisamos realmente ter das lições contínuas. Conservar a forma simples de olhar o mundo, trazer à tona a vontade quieta de poder sempre mais, mas em certos momentos o destino pode ser tão menos amigo e mesmo dessa forma, amizades e companherismos, atitudes ou suas faltas fazem valer cada instânte de loucura!
Você pode imaginar quanto de informação é capaz de guardar??

Sobe as escadas do pátio, skate na mão, idéias na mente... Troca figuras consigo; e sons, são "ais" e "nhás", coçada no queixo, unha na barba, olho na prancha, logo no corre-mão e desce. Manobras são riscos de vida e obras são riscos de homens, cicatrizes no corpo, na alma... Cair é melhor que nunca tentar! Muita gente não sabe pôr para valer os ensinamentos do erro constânte e sendo assim, há certamente quem não se dá conta dele, mesmo assim faz parte do todo, mesmo assim participa do clã, sendo assim é menos erro e mais acerto, pois se encontra tentando!
*

O garoto SkaterBoy, já de planos, já de traços...
... cumprimenta horas "oi" ou "olá", pode ser "e aeee?",
fascinante mundo-imagens, de ver tudo o que puder,
fascinante mundo-arte, suas bandas favoritas,
referências e manias,
"vamo vê qualé que é!!".

Mas o cara SkaterMan, já de planos, já de casos...
... quando se vai diz logo "tchau", pode ser também "falou",
instigante mundo-som, de ouvir tudo o que é bom,
instigante mundo-arquivo, de guardar cada detalhe,
álbuns e singles,
"me parece interessante!!".

E o garoto SkaterCrazy, já de sonhos, já de ações...
... até hoje duas tattoos e meia, sono depois das vinte quatro e trinta,
curioso planeta-filme, há de se conhecer cada diretor de cinema,
curioso planeta-posters, há de valer pra pendurar na parede,
miniaturas e roupas jogadas pela cama,
"ah, tô de boa hoje!!".

Sobre o cara SkaterFriend, já de sonhos, já de lances...
... empilhados cd's de tudo, empilhados esquemas pra tudo,
curioso planeta-tento, uma tela por trás das lentes,
curioso planeta-posso, uma conquista por entre os dedos,
TV à cabo, rádio e internet,
"pode ser sim cara!!".

E tomar alguns capotes no final da descida, também continua sendo muito legal, né?

- Quanta coisa!! Um Zine ambulânte... -
Ao meu camarada sangue "bão" de sempre
Rodriguinho, vulgo Veronezze.
Meu, eu nem sei quanto
de informação eu consigo arquivar...
... certamente, você é mais organizado e tem sempre alguma coisa
que vai ser muito bom de ver!
"Valeu Mano".

24 de julho de 2008

Notas por Antonella

I.
Hoje, momento quieto, ando pensando...
Acho que existem pessoas que criam nossa esperança e educam nossos olhares, são assim as admirações e assim as situações em que vez ou outra são visíveis as trocas. Existem momentos e fases da vida em que mais velho ou mais novo, mais seco ou mais doce, amargo... Já nem faz diferença, mas há um dia lá no meio do mês ou uma hora dentro do dia, pra mudar, são tentativas solitárias, são caminhadas com amigos, calçadas, portões, encontros...
Hoje momento quieto, ando surtando...
Acho que existem caminhos que criam nossa tolerância e maduram nossos sonhos, são assim os ditos de silêncio e assim as contemplações quase sempre desiguais. Existem entre um momento e outro, diferenças tão iguais, igualdades importantes e certezas na mira... Já nem se busca a diferença, mas há um olhar dentro de alguém ou um alguém dentro de tudo, são achados e perdidos, são caronas e parceirias, estradas, saídas pra bem longe, distância...
Hoje momento quieto, hoje...

II.
Caminhar e caminhar...
Meus versos são pura terra da estrada onde a ti também encontrei,
querida flor, grande amiga!
Se eu tivesse todas as condições,
construiria uma ponte enorme e ia te ver...sempre!!
Engenheiro de sonhos,
sonhador e construtor dos mesmos...
Flor, sei bem,
construímos juntos!
Porque o sol só vem no momento em que a lua se vai,
mesmo assim, quantos dias eles se encontram?!
Mas não todos os dias, nunca todos os dias,
mas ainda assim, se encontram!!
Digo-te, bendigo e "redigo"...
Nossas escadas passam tão perto uma da outra,
e num certo momento, tão perto!
Alguns degraus juntos, outros não, mesmo assim...
Alguns juntos!
Tuas ciências, pressas, teus sonhos...
Tuas estrelas, tu sabes flor, amizade é isso!
Eu sei, meus coturnos de couro e barras de calças rasgadas,
tu sabes, as marcas, minhas marcas!
No meu álbum-memória... Fotos tuas!
Na tua história-bloco de notas... Palavras minhas!
Eu sei, tu sabes...
Amizade é isso!
E ainda sabemos muito mais!

Com amizade,
à minha queridíssima Antonella Satyro...
... muitas saudades sempre!!

14 de julho de 2008

A Caçada - Corajosos Sonhos Reais

Para quem conhece um metrô, sabe bem como é curioso (por mais que irrelevante) o som que pode ouvir do veículo em movimento. Não façam isso em casa crianças, ou melhor, nunca façam isso no metrô... Mas eu já o fiz e é mesmo muito interessante, fechar os olhos e sentir a aproximação somada ao barulho e o vento que bate no rosto, quando na plataforma você cruza a linha de advertência: "Não passe daqui enquanto espera"!!
Sempre fui um problema para mim mesmo quando o assunto é esperar, ao menos o que me interessa. Muito bem, o som do metrô remete à confusão das grandes cidades, mas remete também a velocidade que gira dentro delas e que na minha forma de ver, sentir; circula dentro de cada um de nós e portanto, faz com que o homem busque esse "crescimento", que no caso dos grandes centros, se reflete na arquitetura, na construção civil de forma geral e no caos do trânsito, no caos humano, no caos.
Mas se o caos pode ser a exposição do que acontece por dentro, eu fico imaginando... E como é que isso se manifesta em lugares menores? E como afinal, é que as pessoas podem vez ou outra encontrar suas linhas de advertência e cruzá-las? Na intenção de conhecer seus limites e correr seus perigos de morte em busca de imaginção, sonhos corajosos (mesmo que internos), reais quando se externalizam, como podem?
Eu sempre soube achar essa linha em mim, mas meus perigos não são iguais aos dos outros e obviamente, sem achar que o mundo é inocente, inocentemente eu fico pensando sobre isso! Tive a resposta de uma única pessoa ainda esses dias e sem qualquer palavra que falasse exatamente disso; porque se trata de alguém cujo diálogo comigo acontece por meio dessa linha existente dentro de cada um de nós, meio perigosa porque vai de encontro com algo que pode ser fatal, mortal e ao mesmo tempo novo, curioso, por fazer falar sua imaginação sobre coisas nunca pensadas, pouco credibilizadas ou conhecidas. Se levo isso ao leitor de forma mais esclarecedora, então terei que mencioná-lo e o farei, pois é com muito orgulho que o declaro um dos meus melhores contestadores, título esse que só atribúo aos bons e sagazes amigos!!
Então se começando uma certa história e na verdade por meio dela uma certa declaração, eu direi que meu amigo violeiro é uma personagem que cultivo e implico por justamente sentir que assim posso. Liberdade entre almas (aliás, diga-se de passagem, é ele quem mais desse lado inexplicável do existir me fala), eu posso contar que são assim: perigosas as nossas linhas da plataforma... Feche os olhos meu amigo, ouça o barulho que vem de longe, dentro desse túnel há vagões cheios de mundos, circulando dentro de si, circulando dentro do espaço que nos guia e ouça mais do som, quão próximo ele está, vai chegando e esqueça dessa linha... Mas ouça os sons, mais próximos eles começam a se misturar, como eu ou você, nossos amores humanos, nossos pesares humanos, seres humanos... Ouça cada ruído e junte-os todos!!
Seres humanos, almas humanas?
E sinta quase um sopro, e vem chegando, esqueça da linha e saiba, imagine, a plataforma em que você está e eu aqui do outro lado, esperando o veículo que certamente vem em sentido contrário, mas não perca o som, não deixe escapar o ruído!!
Aqui, eu confesso, abri os olhos e vi um grande verde pasto abrir atrás de você e figuras de um álbum comum juntando-se perto do seu corpo e uma olhada para trás, vejo as mesmas coisas; mas presos aqui, intraterrenos, dentro do metrô, vagões cheios de mundos, circulam nossas almas e fecho novamente os olhos, mas perdi o foco, perdi o fio... O último vagão passou por mim, antes parou, subiram e desceram mais almas e por um minuto, onde está você?
Foi também, esqueceu da experiência?
Abriu os olhos como eu?
E fico procurando aqui e ali, acabo de passar meus olhos sobre toda a estação e a surpresa, eu como bicho preso, encurralado na caçada... Ele não se foi com o veículo, não embarcou com outras almas, está aqui, na minha plataforma!
Como conseguiu passar por entre os vagões?
Então não precisa de palavras, existe uma linha de diálogo entre nós, não é?
Pois eu explico por mim!! Fecho os olhos, tudo de novo, sons e o vento que começa a aumentar com a chegada do veículo... É preciso ser corajoso para cruzar a linha de advertência, então, avisado dos perigos, uma vez que já entrou na confusão espacial do caos circulante dentro de si, você pode tudo! Atravessar por meio de qualquer vagão à 200 km por hora e conhecer a alma dentro do corpo, dentro do mundo, dentro do outro de olhos fechados, sentindo apenas isso, cruzando apenas as suas barreiras.
Abri meus olhos pra ver a sua experiência e inocência minha se não soubesse que ali na outra plataforma faz você exatemente o mesmo, mas daí, vejo a cena comum que nos prende, o cenário que vivemos, pouca cidade grande, muito verde pasto, nada de ruídos no metrô, mas pássaros, latidos e ecos da reunião hoje ou amanhã, alguns camaradas, algumas ciladas, muitas almas "nos vagões"... Nossos mundos, dentro de um mesmo mundo e feche os olhos, ouça os ruídos, não os do veículo que pode nos levar, mas àqueles que estão dentro de nós!

Violeiro, violeiro...
... "San Tiago", meu amigo,
uma carta-experiência, pra dizer apenas isso:
viagens fantásticas suas, concretos tiros mirados meus.
A caçada, é uma linha "perigosa"
para os que não se atrevem à junção dos mundos!!!
- Diálogos com os olhos, sinceramente,
é bom ter você por perto! -

9 de junho de 2008

O Jogo da minha Sorte

Tantos motivos, eu pensei, tantos caminhos...
Tenho a prova no meu caminho e mesmo assim,
então por isso, posso eu dizer que versos e poemas
não definem tantos sentimentos reunidos.
Imagine uma mesa de cassino,
imagine um grupo de pessoas,
imagine aveludado e verde, fichas coloridas,
apostas grandiosas, grandes somas, somas muitas!
Imagino vez ou outra, tantos símbolos,
significados e um tanto mais,
daí não imagino se pudesse não pensar...
Mas vejo na mesa aveludada verde,
grupo de pessoas a jogar.
São copas e espadas, são reis ou são rainhas,
toda lógica da sorte ou do azar!
Eu vejo, sim eu vejo e sem mesmo poder algo mais imaginar,
ali está forte jogador - baralheiro...
entende números, respira números,
calcula caminhos por meio de números
e decide então cartas aqui ou pra lá,
serio oponete, grato parceiro, ótimo estrategista!
Sua bondade me comove - simplicidade,
hombridade, sabedorias de verdadeiro rei.
Me agradam os bons jogadores e as cartas fortes,
apostadores...
Esse bom jogador, eu direi,
esse muito bom jogador é mente criadora,
muitas espectativas, sempre presente, não precisa chegar,
nunca foi, sempre está... É tão generoso nosso jogador,
fica difícil dizer que irá disputar; mas sábio mundo - tolas regras,
são assim, aprendidas por quem já sabe antes mesmo delas,
jogar!
Na vida, grande cassino estranho,
máquinas que caçam mundos,
pás que raspam fichas-esperanças,
roletas e pontos, quadrados, redondos... sonhos!
Eu bem de lado, fico observando um canto de mesa,
alguém que aposta muitas formas,
várias fichas e ganha.
Eu volto e olho mais um pouco e lá está,
perdeu agora, mas tudo bem!
São tão poucas as pessoas que sabem perder
e menos ainda as que sabem ganhar,
e como você, rapaz dos números,
são bem menos!
Se observo um pouco mais, copos e doses,
cigarros, palmas de empolgação...
Viram um "As" - sua partida começa e sabe,
Espadas - atacam, nunca deixe que lhe façam feridas!
Corajoso homem hoje,
decididos saltos de alturas que nem mesuro,
eu não entendo e mesmo assim,
sinto junto!!
Mas cala o azar, caiam as Copas - momento quieto,
regras desconhecidas e como peço,
nunca o deixem ou façam cair, gritos e presságios,
eu mesmo digo: "Esse cara é dos bons!!"...
BlackJacker costumeiro, é capaz de duelar,
mas são Paus agora - inventiva mente,
do nada se faz de armas e que pouca surpresa, ele vence!
Paro um minuto, verde mesa aveludada,
sento perto e desafio... Não há vontade de ganhar,
não há pedidos para que perca
àquele que se encontra do outro lado, pois assim,
esfumaçando o leque com versos em arte fina de baralho,
ri meu parceiro e que sequer preciso dizer...
não perde, pois só ganha e faz vencer.
Viram uma carta qualquer, Ouros - interior de riqueza,
jovem amante da sorte, desafios de vida,
consciência da morte em vida de tudo aquilo que não lhe faz feliz!
Valete precioso, gratidão é o que sinto por jogar consigo...

Ao meu pedinte de conselhos...
meu baralho da mais crua geometria-arte!!
- Fecho os olhos e ouço suas risadas de bom menino -
Rodrigo, meu irmão Digo, meu amigo!