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2 de junho de 2016

A Ronda dos Sonhos

Não há amanhã que chegue dessa noite,
já que os sonhos necessitam ser dormidos
e ao tempo, que antecede um céu azul
pelo deus crepúsculo,
dos amantes dão destino...


Em passos cegos
e cegos-surdos vão sofridos corações
já por não serem mais eles que pulsam,
mas seus desejos, que se buscam sós e esperam
através da noite que não tem mais fim.


Ah, mas por que os sonhos vivem adormecidos?

E quando acordam simplesmente somem,
viram verdades andando a passos largos,
ou vão de encontro à realidade indesejada.


Não há amanhã que chegue dessa noite,
já que os sonhos , muitas vezes, acabam esquecidos
nesses dias que antecedem o retorno
do deus crepúsculo,
talvez esse seja então o seu destino...


Céus anilados? Esse azul nunca tem fim.
E os céus sussurram ao meu lado: "Se amanheceres
serás como o Sol... Se amanheceres poderás ser
a verdade daquele outro sonho que anda só!"


Ah, mas por que os sonhos não vivem acordados?

Pois quando o dia terminar e o crepúsculo voltar
trazendo a Lua, eu quero caminhar acompanhado
daquele amor que eu tanto quis lembrar...



E ele, ainda que silencioso, espero
também tenha adormecido pela longa noite
desejando nunca esquecer-se de mim!!


- Ah, mas afinal por qual motivo
os sonhos apenas conversam conosco
enquanto não dominamos os sentidos? -

20 de novembro de 2014

A INTRODUÇÃO

Na minha adolescência, houve um piano, teclas que ensaiei... Entre notas que dançavam sobre as folhas de partituras e partituras, os meus sonhos eram tão gigantes e eu acreditava que os tornaria realidade de forma quase fabulosa, quase! 
Naqueles anos os cadernos viviam cheios de desenhos, os amigos cheios de alegria e o meu coração perseguia idiomas, livros e mais livros, minha mãe e minha avó, meus poemas e uma bailarina que com suas sapatilhas me persegiu também; eu fui feliz em cada momento e com cada uma dessas coisas e pessoas, mas o piano era um desafio, era um sonho maior que saltava aos olhos e gritava aos ouvidos!! No mundo das escolhas, ele se foi de mim e numa avalanche de acontecimentos, a sua perda dos meus dedos que ainda tocavam introduções e polcas nos corrimãos ou nas estantes, quase não foi lamentada, mas aos poucos o piano foi virando "gente", um luto que eu guardei pra mim, uma desistência, uma frustração porque nos meus sonhos eu tocaria cada trilha, de cada história e comporia meus poemas antes como notas, antes eram apenas notas, mas elas se foram também. Então, o menino sonhador sem perceber foi se enchendo de rancores dos amores que não pôde embalar e perdeu-se em tantas idas e vindas, meu Deus, quantos são os mundos aos quais teria que provar para depois julgar e enfim, decidir, estar, viver, ficar...?? 
Na minha adolescência eu desejei ser um escritor que, aos poucos, hoje eu vejo revelar-se e sonhei ser um viajante, cidadão do mundo que antes de tudo me tornei; e o pintor que nunca mais voltará – eu sei, o amor da linda bailarina que vi sumir depois voltar, que ensinou-me que o amor pelo sagrado é o seu melhor estado, ela me ensinou a perdoar! Na minha adolescência eu jamais imaginaria estar onde agora estou, com toda a história que se foi e ainda, sem ponto final, acontecerá. Naqueles anos flutuantes eu desenhava uma pedra e uma árvore que juntas geravam um Ser Humano sem saber que mais tarde, as pedras, quem carregaria seria eu e sem saber que as raízes que me tiraram o piano não impediriam que meus galhos crescessem e tocassem os pontos mais distastes, os mais longínquos e não apenas corrimãos e estantes daqueles dias das primeiras tristezas!!!
Pois bem, eu estou aqui... Agora, depois de muitas coisas, ainda na construção dos sonhos e vivendo um tempo de realizações. Pois bem, eu encotrei um amor que me trouxe a leveza daqueles anos de volta e com essa leveza a maior surpresa de todas, aquela que eu nunca imaginaria ter de volta: o piano. Eu fiquei tão feliz quando o vi com um bilhetinho que dizia: "A sua audição absoluta merece ouvir os sons que tanto ama e eu ficarei aqui esperando que você venha tocar pro meu coração". Eu o dedilhei, eu brinquei e não me atrevi de fato, pois ah eu preciso de aulas, muitas delas, treino!!! 
Mas hoje vi-me sozinho com o grande presente, quando olhei para o meu sonho feito de madeira de ébano, me sentei com algumas partituras e li a introdução das Bachianas número 5, os meus dedos sobre as coxas se movendo, e eu fui ouvir na internet, passei e repassei, passei de novo e de novo, abri a grande caixa preta e me lembrei da bailarina, dos amigos, das raízes e das pedras, da minha mãe, da minha avó e da leveza e das perdas... Foi a introdução às Bachianas, apenas, mas eu consegui de novo, eu consegui a introdução tantos anos depois sem as partituras e me emocionei, por isso as lágrimas de hoje são de pura felicidade!!!!

- Quando nascer a flor,
quando for tudo imenso
amor,
quando um sonho 
sublimar a sua dor,
então
serás feliz e serás teu
salvador! -

25 de julho de 2014

Às Vésperas

Hoje eu acordei de mim e ao olhar de frente,
o meu semblante tem uma marca infinita
mas que se esconde dentro da minha carne
e foi o espelho que disse: algum tempo já
passou!

Hoje eu me lembrei do dia em que ouvi dizer,
mas os amantes nunca são justos juntos
pois se escondem dentro de seus desejos
e foi meu eu surdo quem alertou: sofrer já
terminou!

Hoje eu me esqueci de mim e muito diferente,
o meu coração leva uma história ainda aflita
mas que se disfarça dentro da minha vã arte
e foi a chuva que fez qu'eu visse: o procurar já
acabou!

Hoje eu despertei de mim e ao olhar de frente,
mas meu sorriso é uma saga tão destemida
pois se revela pelos valores de meus cortejos
e foi meu eu mudo quem ensinou: resiliência já
consagrou!

Às vésperas de colocar-me de novo à prova
ando sorrindo por um olhar que me devora
mas que esgarçará tão logo a memória repare
e foi o tempo que me provou: certo presente já
se sonhou?

- Eu sempre acho
que na verdade se é feliz
para logo depois
ser triste. É a roda, 
a roda gigante...
Eu sempre acho
que meu medo
de ser feliz
é minha ansiedade
por ser infeliz! -

1 de julho de 2014

Le Sorcier

Eu encontrei no silêncio
uma medalha de honra
nela gravadas palavras
que reconheço agora.


Eu encontrei no silêncio
uma criança calada
nela gravadas sentenças
que abandono por fora.

Uma lembrança é o açoite
quando amargo é o gole
dessas palavras latentes
que o coração reprova.

Uma lembrança é o sempre
quando a inocência abole,
mas dessas sujas palavras
quem quer perder o grilhão?

Eu encontrei na medalha
o meu silêncio de honra
nela gravado o passado
que construiu-me por fora.

Eu encontrei na medalha
a minha sentença de outrora,
mas a criança cresceu,
é o homem que me orgulha
agora!


- Eu imagino
os anos que virão,
em vão,
pois aprendi que
as metas nos mudam
o objetivo -

1 de janeiro de 2014

Enquanto Você e Eu

Enquanto você voa
há estranhos aqui dentro
e quando você chega
se escondem atrás dos velhos móveis
por quanto tempo ainda
será de madrugada?
Enquanto você morre
há uivos debaixo da 
escada.

Enquanto você volta
há uma luta quintal afora
e quando você parte
eu olho os passos que vão além da porta
por quanto tempo vida
verei que você vai embora?
Enquanto você vive em mim
há brilho no fim dessa
estrada.

Enquanto você fica ou não
há certezas que me marcam
e quando você sorri
se mostram as personagens encantadas
por quanto tempo ainda
será essa espera?
Enquanto eu lhe amo muito
há dias em que não vejo
você.


- Enquanto você e eu
aprendemos sobre o amor
espero que os dias 
distantes
sejam uma prova
e não uma reprovação -

22 de maio de 2013

A História de Amor

Amor
Sabia dizer espinho
.
Amor
Era cantar caminho
.
Amor
Sentia a flor carinho
.
Amor
Queria andar baixinho
.
Amor
Podia fazer sozinho
.
.
.
Agora espinho quer dizer
.
.
Amor
!
Agora caminho quer cantar
.
.
Amor
!
Agora a flor quer sentir
.
.
Amor
!
Agora baixinho quer andar
.
.
Amor
!
Agora sozinho quer fazer
.
.
Amor
!

Amor... Agora quer ser: só amor!


- Amor é um serzinho
que desenhou um castelo 
bem grande dentro do 
meu caderninho, 
desenhou também um
exército de proteção
e um Rei, sábio e honrado -

10 de fevereiro de 2013

Em Um Beijo...

Vai alegria minha e diz ao tempo que eu
poderei abrir as portas e deixar o Sol entrar
na sua, na minha, na nossa vida.
Vai, e toca o coração que eu
quero amar de qualquer forma,
e dele cuidar, tudo valorizar,
a ele entender e apaixonar.

Esse sopro que não chega,
agora quer repousar.
Ele quer entregar as coisas mais bonitas.
E ele quer encontrar um mundo todo novo.

Vai alegria minha e diz ao tempo que eu
poderei ler as respostas e deixar o Sol brilhar
na sua, na minha, na nossa história.
Vai, e toca o coração que eu
quero amar a qualquer hora,
e nele existir, ali habitar,
com ele crescer e assim alegrar.

Esse sopro que não basta,
agora quer alcançar.
Ele quer oferecer as palavras mais amigas.
E ele quer dedicar um mundo todo especial.


-  Meus lábios tocaram seu peito
pra dizer-lhe que amo, mas amo tudo,
até mesmo o que não provo
e acredito que se repousa em mim
a sua paz, eu lhe serei fiel
e para sempre o mais leal;
o seu melhor amigo e seu amor maior
que com um beijo, a alma afaga. -

8 de fevereiro de 2013

Eu Tento, Eu Preciso...

Um dia, foram os ruidos que o assustaram
e entre as crianças que brincavam naquela tarde,
sobrou a tristeza de não poder avançar as horas...
O mundo inteiro aplaudiu,
e não viu o que foi deixado ali, depois do amor.

Amor feriu, um dia assim sem explicação
e dentro do seu diário, as palavras jogaram
como os pequenos que correram pelas poucas horas...
O mundo inteiro então sorriu,
e não considerou o que foi perdido ali, a dor.

Um dia, a dor foi o motivo que o desanimou
e entre as escolhas que valiam naquele tempo,
sobrou a lembrança de não poder retroceder as horas...
O mundo inteiro chorou,
e não compreendeu o que existiu ali, um grande temor.

O mundo inteiro se calou.
O mundo inteiro...


- Elas vão dizendo que eu
tento sempre o mesmo encontro
e acertam quando lembram que eu
sou ainda a mesma pessoa!
Elas sabem que eu sonho com o
passado e o futuro parece que já foi!
Ah, as horas... -

4 de fevereiro de 2013

O Silêncio do Tempo

Eu ando meio incontrolável, eu acho!
Mas percebo agora, que eu quase sempre fui assim
e é estranho que só agora, eu possa perceber...
Eu ando pela rua e não há caminho certo!
Mas durante o dia, eu vejo as cores mais mortas
e ao escurecer tudo ganha um pouco mais de vida.

Então, eu me questiono aqui por fora
"Será que o problema está onde se mora?"
Mas acho sinceramente aqui por dentro,
que toda vez eu coloco tudo de forma errada
que o meu maior amigo seja o silêncio!

Eu ando meio conufuso agora, eu acho!
Mas não me preocupo tanto, pois eu sempre ri de mim
e é diferente dessa vez, pois eu realmente chorei...
Eu ando pela vida e não há trajetória exata!
Mas durante a noite, eu vejo as coisas acontecerem
e ao amanhecer tudo fica muito difícil de entender.

Estou guardando os meus tesouros no escuro.
Estou esgotando as minhas fontes de água.
Estou aprendendo a esperar, com paciência,
mas com medo de que o tempo, esse sim,
não seja um bom amigo!


- Quando você muda os motivos
acaba muitas vezes transformando
as explicações, e isso, é tão difícil!!!
Quando eu mudo minhas verdades
descubro que continuo, aqui,
esperando... -

24 de janeiro de 2013

O Ninho da Tarde

Fique aqui entre estas árvores
e veja só como a poesia é mesmo mágica
eu sugeri a brincadeira desta tarde
e nossos passos vão ficando pela grama.

Fique aqui e faça tudo o que tiver vontade
e observe o pousar daqueles pássaros lindos
eu encontrei gravetos perfeitos para o arranjo
e o fim do dia, hoje, parece que será imperdível.

O Sol vai descendo do seu trono lentamente
e você vai amar o horizonte colorado
eu estendi uma toalha para sentarmos,
mas há também um balanço que voa alto!

Fique aqui sob estas muitas folhas
e sinta só como o outono lhe faz mais doce
eu guardei só pra você uma caixinha
e nossos sonhos você pode guardar assim.

Fique aqui e toque tudo o que tiver coragem
e acredite na canção que os pequeninos trazem
eu encontrei un ninho perfeito cheio de ovos
e o fim do dia, hoje, parece que terá vida!


- Abri o portão que se encontra
depois das flores naquele jardim.
Convidei as crianças da rua para
brincarem aqui dentro...
Pularam corda, fizeram roda, e balançaram
debaixo da grande árvore. Eu,
desenhei os jogos e colhi frutas
desse pomar -

23 de janeiro de 2013

Você Sabe Que Não é Verdade

O que sobra em mim
são palavras cruas
desmendindo se eu
dou verdades nuas.

O que volta em mim
são lembranças duras
desmentindo se eu
sou capaz de curas.

O que sobra em mim
são as águas turvas
afogando-me se eu
giro em tantas curvas.

O que volta em mim
são confissões puras
matando-me se eu
as faço de amarguras.

O que sobra em mim
é o que volta assim
porque os sonhos meus
foram amor e um futuro
todo feito de auguras!


- Meu amor fez um carinho
aqui dentro do meu peito, eu aceito,
acredito...
Meu amor foi dançar em outros bailes
e aqui dentro, eu me lembro, 
que acredito...
Meu amor foi embora
e deixou-me uma carta, nela disse:
"Aceita-me, se acreditas, e lembra-te
se me aceitas, eu te amo!" - 

9 de janeiro de 2013

A Caixa

Me encontre daqui a pouco lá no canto da estrada
eu verei quem são seus santos ocos, feitos de gesso
feitos de nada...
Mas espero um pouco mais se você me convencer
a parar e relfetir sobre alguma coisa que se escondeu
entre nós dois!

Me carregue nos seus sonhos e nos anos agitados
pois serei seu grande amigo, seu amor e sua cicartiz
feita de mágoa...
Mas entenda uma vez mais que eu posso ser melhor
do que tudo que já lhe aconteceu, pois você sabe 

o que não existe aí!

Me encontre amanhã ou depois lá no alto da escada
eu verei você chegar, passo a passo, cortejando os anos
da história já passada...
Mas espero que esse dia seja muito breve em mim
pois meu tempo se modificou e você me devolveu tudo
o que não existia aqui!

Me perdoe se as palavras estão perdidas nessa caixa
onde eu guardei também, meus brinquedos, meus desenhos
que não diriam quase nada!
Mas espero um pouco mais se você me convencer
a parar e aceitar que meu melhor vive assim, aos pouquinhos
entre nós dois!




- Eu desisto, às vezes, tão
facilmente e então me pergunto...
Eu me lembro quando foi a última vez
em que disse "não" sem medo de ser 
rude, por vontade de ser feliz"? -

27 de outubro de 2012

Mea Culpa

Eu tive um sonho,
um sonho lindo...
Meu lindo sonho acabou, terminou tão triste!

Eu quis gritar, me machucar de solidão,
quis me ferir, abandonar meu coração
e me perder para sempre
e me esquecer
e implorar que os céus me devolvessem
me concedessem
o bem maior de ter-lhe aqui.

Foi mesmo injusto amor
o que fizeram à você.
Foi tão estúpido amor
a minha fulga, tão infeliz.
Foi minha prova, minha inteira exposição
e a minha forma de dizer "lhe quero bem"
e minha sentença e a razão
por estar aqui, agora
lembrando do meu sonho...

... nossos sonhos, nossos planos, seus encantos
e minha prisão!


 - Eu nada vou dizer
eu vou correr e me esconder
e escondido, vou me maltratar,
eu vou chorar
e implorar, uma vez mais,
eu vou me enganar
e acreditar, que está tudo bem! -

22 de outubro de 2012

Noite de Baile

Meu sorriso contido vem guardando 
o que há de melhor em mim.

A noite foi passando 

os segundos,
dos minutos ,
das horas...

E o olhar que percebi, 
logo os que percebi, 
então todos os que percebi, 
eram mesmo pra mim?

Pois eu queria mesmo 

ouvir aquelas palavras, 
eu queria dizê-las também, 
mas de outra forma...

... com atos, com gestos, com toques!

Sabe que eu fiquei lisonjeado?
Sabe que eu fiquei até meio sem jeito?
Sabe que eu fiquei bastante tentado...

... a levantar do outro lado da mesa 

e lhe dar um beijo na boca?

E eu fiquei feliz quando você chegou, 

mas nem sabia o motivo!

- Você promete à vida que vai fazer 
tudo diferente... E você jura que seus atos
estão sendo realmente indiferentes, quando 
de repente você pega sendo o tal valente
e se engana novamente, mas entende:
"certos enganos trazem também
o pertinente". Eu acredito que fui
mais feliz com a inspiração, 
do que com a resposta!!
Entretanto, estou hoje, mais contente
com a resposta
do que com a inspiração -

19 de setembro de 2012

O Meu Desejo

Eu quero ser um sorriso a cada dia em que me levantar
porque de choros e insônia o meu coração já se cansou
e quero que a cada lua nova nesse seu olhar
o reencontro com o passado sejam os meus braços.

Eu quero ter um motivo sempre novo e cheio de amor
porque de solidão e arrependimento meu coração já se calou
e desejo muito que a cada flor nascida nesse seu olhar
o meu jardim imenso seja completa
mente avivado.

Eu quero ver os passos dados em minha direção,
eu quero sentirr o doce verdadeiro das intenções,
eu quero conhecer a coragem para que me tenha,
e quero ser o maior,
de repente, em você, o mais importante,
e quero que me peça e que me conquiste,
que me diga prosa, verso, poesia...

Eu quero ser o motivo da sua felicidade,
e que da sua seja feita a minha,
escutar de todas as formas que o pra sempre só depende
do nosso agora!! 


- Promessas...
Eu bem entendo, bem acredito
no fim do disco
sobram chiados
e eu ouço também -

2 de novembro de 2010

Tempos com Alice

Durante a estada de Alice, gerou o motivo pouco abstrato de seus pensamentos confusos e suas lembranças tardias da época em que o único objetivo era a busca pelo novo. E por cada um daqueles poucos anos, exerceu seu papel de garoto esperançoso da formatura próxima e de professor de línguas latinas. Fantasiou que poderia mais do que a cada dia conquistava, alimentou as causas que defendia, mas houve dias e houve noites em que as atitudes não condiziam com as palavras eloquentes de sua boca.
Durante anos a fio foi o poeta das palavras mudas que mudavam seu trajeto simples e torturava a fantasia de seu fantasma lindo de formas acariciáveis, que dançava em um palco vazio atendendo a pedidos. Aconteceu que certa vez, a ruptura fora inevitável e o fim, daqueles que não se freiam, puseram em sua vida uma nova rota que deveria ser entendida.
Tempos que passaram e o torto homem, de sonhos de menino, precisou saltar para uma nova fase. Foi como um desses dias de pouco sol e muitas nuvens. Foi uma solidão que não parecia menor que a linha do horizonte e por onde quer que olhasse, ali estava o fim ou começo dos dias.
Durante a estrada que cursava, quantas paisagens estranhas sem explicação! Durante a passagem por caminhos sempre novos, tudo o que o separava da realidade, tudo o que experimentava era distante do que o aguardava em sua casa. Durante as diferentes fases de seus anos colegiais, amigos que vinham ou iam, alguns poucos que ficavam... Tormentos sobre um futuro imaginado, desejado e nenhuma certeza concreta da realização de fosse lá o que fosse. E foi assim, tardes e manhãs. Mas veio o momento de escolher entre uma ou outra coisa, e veio o momento de escolher cada passo além, o devir não é nada certo!
Durante os jogos de sorte, nem sempre os dados foram justos, mas ora, eles nunca o são! Durante as horas de desafio posto sobre as mesas de apostas, suas únicas armas eram um pouco de trunfo escondido e blefe pra variar, mas não muito, pois blefar aprendeu desde cedo. Aos parceiros de jogatina, foi leal no perder e no prender. Nunca enganou ninguém mais do que a si mesmo, pois de tomar dores e decisões às próprias mãos, cansou e aturou sentenças injustas.
Durante cada viagem que fazia, suas pernas andavam rotas para os contos novos e foi assim que construiu o seu diário emocionante de aventuras loucas e nada mais que o vivido derramara sobre as curiosidades percebidas. Suas visões de castelos medievais, sua curiosa forma de apreciar as pedras ancestrais e um pouco de diversão, aprendizado, experiência...
Durante a estada de Alice, entendeu que quase nada poderia fazê-lo mais feliz, pois poucas coisas são de verdade preciosas no mundo, as maravilhas descobertas numa amizade. Há horas em que o pouco é simplesmente tudo, há horas em que o tudo revela o nada, há horas em que sonhar é bom e acordar é tristemente estranho.
Foi assim, que aprendeu sobre o amor de doçura à boca. Foi assim, nos tempos em que Alice ali estava!

A saudade é um sentimento
uma presença
uma sentença
uma jornada!

7 de julho de 2010

Cinzas

Tudo o que eu quero agora é um pouco de sorriso
Se era verdade que do tempo nada
Se era sonho em pessoa errada
Se era um pouco mais, eu sempre soube assim.

Tudo o que eu desenho agora se transforma em rabisco
Se é verdade que a historia acaba
Se é sonho em pedras, estrada
Se é a porção que atrai, eu sempre a vi em mim.

Há um bicho no meio da escada
Há um treco bem no centro da sacada
E de lá, horizonte, longes montes
Árvores, mato, cerca e solidão.

Tudo o que eu faço hoje tem um pouco de cinismo
Se era falso que em versos passa
Se era puro em trincheira baixa
Se era um conto a mais, eu sempre ouvi assim.

Tudo o que eu recito hoje se transforma em abismo
Se é mentira que paixão acalma
Se é puro em quedas, escalas
Se é a fração que distrai, eu sempre a pus em mim.

Há um cisco no meio do meu olho
Há um brejo bem no centro d0 retorno
E de lá, se escondem, longes pontes
Galhos, fatos, seca e ilusão.

- Os quadros lá de casa estão craquelando -

10 de junho de 2010

Sentenças

Ao amigo verdadeiro, uma carta de realidade!
Fico pensando, nós, os seres nascidos do inverno... A vida friamente clara, friamente lúcida, tão friamente dura! Aos corações bons - as intenções que se aproveitam, aos generosos espíritos - as atitudes maculadas em forma de "não"...
Não, você não pode!
Não, você não entende!
Não, você não é, você não tem, você não vai, você não quer!
Não! Não! Não!
Aos olhos sonhadores, porque afinal as pessoas mentem? E diga então, porque aos pensamentos talentosos, as criações são tantas vezes a tentativa do breque? "Ei, espera um pouquinho. Não seja ainda, não vôe alto, fique aqui e se prenda, ou se esqueça, se renegue e se entregue ao desejo alheio de que você em nada existe" - hipócritas os homens, egoístas, esses outros seres das estações mais quentes que ignoram como a vida (já tão madrasta), nos obriga, os seres do frio a sentirmos a falta dos calores, os graus lá do alto.
Sentenciado o homem, ele acredita e enxerga a sua condenação; os anos passam e como passam! Vão ficando mais curtos, tamanha velocidade com que existem e vão ficando mais previsíveis, tamanha a repetição das sentenças!
São eles, os corações bons - os que disso entendem. Sempre tropeçam em seus exageros admiráveis, sempre choram atrás das portas - suas lágrimas que temem incomodar, sempre dão as novas chances e com elas se condenam, se frustram, mas sempre dizem o "sim"... Contrário do "não" que o mundo todo oferece aos seres gelados!
São os seres do gelo, os mais transparentes, os mais interessantes, os mais pompudos e lindos, raros! São os seres da neve que aprendem a viver uma fase longa sem alimeto e sobreviver de seu próprio e pessoal consumo, são os seres dos ventos gelados os que arriscam a caça noturna, dias claros demais para ver o que há de importante! São os que se agrupam, se reúnem para aquecer os corpos (digo aí também as almas) e são eles, pequenos do trimestre à baixa temperatura do ano que nasceram ao sabor das fogueiras, das bebidas calentadas... Tudo, tudo o que traduz a proximidade, os "seja bem vindo" ,"entre e feche a porta, fique aqui dentro"; trazem consigo a gana e a boa vontade do "trazer consigo" e nunca adeptos do "vou levar pra mim",
Sentenciado o homem, me diga hoje, você que como eu e como todos já foi garoto, amigo meu... É justa a vida? Daqui, a gente vai para algum outro melhor lugar?
Sentenciado o homem, me esclareça um ponto, você que como eu já foi traido, comparsa meu... É verdade mesmo que a gente cresce? Daqui um tempo, o quanto disso que vivemos hoje (e lamentamos...) com um sorriso poderemos nos lembrar?
Cumprindo as sentenças, como eu acredito, já estamos por cumprir... Responda se possível, meu oh respeitado bispo, seus movimentos alcançam até onde? Pois se a vida, podemos comparar com uma mera partida de xadrez, porque afinal cada peça ao seu movimento e porque afinal me é decidido quais são os meus e os seus...?
Presos!!
Existo ou insisto no viver?
Eu acredito, senhor destino, que seu companheiro leonino amaria a oportunidade de conhecer o que há depois, para então responder se o "aqui" vale a pena. Impossível tarefa, não poderei definir... Triste destino, única e real sentença! Quando falo das Luas, ao entender que somos nós, existências do inverno... Hei-la aí, nova sentença, não podemos simplesmente alcançar o satélite natural da Terra!
Condenados?
Não!
Escolhidos?
Pode ser...
O quê afinal acontece conosco?
Seres do frio, que aprendem a conhecer, a acolher, a perdoar e ser maiores!


Quantas vezes assim?
Cadeiras enfileiradas, vão longe os assentos
cheios de pessoas que observam, julgam ou simplesmente,
passivelmente nos vêm...

26 de maio de 2010

A Sabida Confusão

Sabedoria que hoje busco,
me faz poder e me faz sentir.
Sabedoria que hoje tenho,
faz levar ou faz trazer, penso e tento...
... hoje eu posso tentar!


Confusão que hoje deixo,
me faz crescer e me faz sorrir.
Confusão que hoje vivo,
faz buscar ou deter, desprendo e sonho...
... hoje eu quero sonhar!


Sabedoria que hoje tenho,
me faz perder e me faz achar.
Sabedoria, hoje a tenho!
Me levou ou me trouxe a fazer...
... tanto tentei e tanto pensei,
hoje eu posso dizer!


Confusão que hoje sonho,
me faz sumir e me faz deixar.
confusão, hoje a vivo!
Me busquei ou me detive...

... tanto sonhei e desesperei,
hoje eu quero entender!


Sabedoria que hoje sigo,
fará poder e fará agir?
Sabedoria, amanhã eu lhe encontrarei,
poderei vencer e também perder,
mas deveras sinto, eu irei partir...
sabedoria minha, essa minha sabedoria
de existir!


Confusão que hoje beijo,
fará queixar e fará cumprir?
Confusão, amanhã eu lhe olharei,
poderei perecer e também falir,
mas deveras vou, conhecer...
confusão minha, só minha, mas que divido
ao seguir!

Com marcas e tempo...
Todo tempo é marca impressa do viver!!
As pessoas querem se apresentar, muitas delas
se esquecem do conhecer!!
- Tempo, calor humano que só existe antes da morte -

2 de maio de 2010

Cera de Vela

Usa a forma estranha e recai sobre as plantas sujas
Seus movimentos cansados
Seus modernismos calados
Encontram gigantes amedrontados
Sobre as colinas do horizonte
E nos móveis abandonados
Ressoam os alarmes vibrantes na mente despedaçada
Ressoam os soluços
E os conflitos brecados, velados, atados nas pontes
Ontem caído
Ontem largado
Quem fala aos montes?
Quem fala aos montes?
Desaponta-me, vai e faz isso!
Meus olhos esbugalhados vão buscar os pecados
E revelá-los
E revivê-los
Depois condená-los
Usa a forma estranha e atrai os ramos enlameados
Suas pontas tão feias de agudas
Suas pernas fincadas em noites escuras
Encontram formigas assustadas
Sob a vida que corre em cima
E nos túneis intermináveis
Abandonam a fonte com passos lentos
Abandonam os escombros
E os diálogos deixados, arrastados, guardados nos cofres
Ontem traído
Ontem violentado
Quem fala aos ventos?
Quem fala aos ventos?
Aterroriza-me, cres que podes isso?
Meus movimentos desalinhados atenderão os tratados
E cobrá-los
E acolhê-los
Depois matá-los


- Aos anos desequilibrados,
dias de chuvas,
dias de curvas,
acentuadas,
aliviadas...
... Recomeço -